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Joinville Quarta-feira, 12 de abril de 2006 Santa Catarina - Brasil

Anexo - A Notícia
Editor - Fabiano Melato
Editores assistentes - Rubens Herbst e Carolina Mar Pereira
cultura@an.com.br
Feira do Livro vende mais de 25 mil títulos

"O Código Da Vinci", de DaBrown, e publicações de auto-ajuda foram os mais procurado

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>> Pedro Luís e a Parede revisita uma década de trabalho

>> Recital gratuito de Arthur Moreira Lima

>> Exposição celebra 23 anos da Aaplaj

>> Espetáculo de dança retrata a feminilidade

>> Entidade que preserva obras de Glauber Rocha ganha casa

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>> Edital premia "Doce de Coco", de Penna Filho


SUCESSO Alguns expositores obtiveram acréscimo de mais de 50% nas vendas e, outros, como Joel Gehlen, puderam divulgar títulos Fotos Salmo Duarte/AN

Feira do Livro vende mais de 25 mil títulos

"O Código Da Vinci", de DaBrown, e publicações de auto-ajuda foram os mais procurados

Rodrigo Schwarz

Joinville - A Terceira Feira do Livro de Joinville encerra-se hoje com um balanço positivo, do ponto de vista comercial. Até segunda-feira, dois dias antes do último dia do evento, já haviam sido comercializados 25 mil livros, cinco mil a mais do que em 2005. Segundo a organizadora da feira, Sueli Brandão, o campeão de vendas do ano passado, "O Código Da Vinci", de DaBrown, continua imbatível em seu posto. "Quanto ao gênero mais procurado, como em todas as edições, a maioria do público ainda opta pelos livros de auto-ajuda", afirma Sueli.
Alguns expositores obtiveram um acréscimo de mais de 50% no volume de vendas. Claudio da Silva, coordenador de eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), informa que o estande da universidade comercializou um número 60% maior que em 2005. "Converso com o pessoal que está participando da feira e estão quase todos satisfeitos", assinala Claudio. Para ele, colaborou para o êxito de vendas a grande quantidade de livros em oferta.
Edsode Faria, da Livraria O Sebo, também comemora as boas vendas, mas aponta que o evento não apresenta mais tantos estandes de qualidade. "Na primeira e segunda edições, havia mais editoras de universidades, que ofereciam obras que cobriam uma vasta gama de assuntos", diz. A organização da feira explica que muitas editoras de universidades desejavam participar, contudo, a data da feira entrava em conflito com eventos internos de muitas dessas instituições de ensino.
Alguns expositores vindos de outros Estados não fazem coro com as comemorações dos livreiros e editoras da região. Mesmo contando com um dos mais belos estandes do evento, e um catálogo de primorosas obras infanto-juvenis, a Editora Shinsekehavia comercializado, até segunda-feira, cerca de 50 exemplares. "Participamos de várias feiras pelo Brasil. A de Porto Alegre, por exemplo, foi um sucesso. Já aqui, nunca mais iremos participar", reclama Cristiane Costa, funcionária da Shinseke- editora que foi fundada no Japão, mas hoje opera em São Paulo. Roberto Costa, da distribuidora de livros Oficina das Letras, de São Paulo, também queixa-se do pouco movimento. "Estou oferecendo livros bons, de editoras como Companhia das Letras e Rocco, por até R$ 3,00. Para obter algum retorno, precisaria estar vendendo muito, o que não está acontecendo".
Nem todos os expositores visam os dividendos estritamente comerciais, ao participarem da feira. Proprietário da única editora joinvilense, a Letradágua, Joel Gehlerevela que seu intuito é divulgar as obras de seu catálogo. "Para mim, a feira não é uma ocasião para vender livros, apesar de disponibilizar uma boa quantidade de exemplares por preços promocionais, e, sim, de mostrar nossos livros e fazer contatos com autores. O mais importante é que a feira coloca o assunto livro na pauta do dia", afirma. Joel festeja o fato de o evento ser montado no centro da cidade, atraindo muitas pessoas que não costumam freqüentar livrarias. "Aqui, elas praticamente tropeçam nos livros, dando a oportunidade de surgir novos leitores", opina. (topo)

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Vencedores de prêmio lançam obra

Hoje, às 18 horas, na praça Nereu Ramos, ocorre o lançamento do livro "Joinville em Prosa e Verso". A obra é uma coletânea das obras dos vencedores das últimas duas edições do Prêmio Döhler de Expressão Literária, que contemplou os gêneros poesia, conto e crônica.
Integram o livro textos de Clotilde Zingali, Simone Gehrke, Carla Argolo, Clarice Steil Siewert, Denise Aidar Warnecke, Tiago FurlaLemos, Joel Forteski, entre outros autores. (RS)(topo)

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Nomes de peso
em bate-papos

Diferentemente das edições anteriores, este ano aportaram na praça Nereu Ramos grandes nomes da literatura nacional. O escritor Ignácio de Loyola Brandão discursou durante mais de três horas para uma platéia de estudantes de letras e jornalismo. O autor também revelou sua estima por um cidadão que residiu duas décadas em Joinville, o fotógrafo Apolo Silveira. Falecido recentemente, Apolo elaborou a capa do primeiro livro de Loyola,
"Depois do Sol" (1965).
Ontem, foi a vez de Carlos Heitor Cony autografar suas obras e conversar com amantes da literatura. A prosa do autor de "O Ventre" não dá sinais de cansaço. São tantos títulos de Cony que chegam todos os anos ao prelo que hoje ele conta com três grandes editoras: Companhia das Letras, Planeta e Objetiva. (RS)(topo)

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ZAP

"Mas quando abrimos os jornais, a insegurança no Rio de Janeiro como um todo está lá estampada."

Manoel Carlos, novelista, comentando sobre o veto que a novela "Páginas da Vida" sofreu da prefeitura carioca, que proibiu a gravação de um arrastão na praia do Leblon

Tempo a favor

Patrícia Pillar acredita que tudo tem o tempo certo para acontecer. E é assim que ela analisa a sua participação nas duas versões de "Sinhá Moça", da Globo. Na primeira, de 1988, ela interpretou a misteriosa Ana do Véu. No atual remake da novela, ela pode ser vista na pele da forte Dona Cândida. "Naquela época, eu não tinha como fazer a Cândida. Eu era moça, tinha pouca experiência na tevê. Agora, tenho o amadurecimento suficiente para interpretar e fazer a mulher do Barão", explica. Cândida, inclusive, é considerada pela atriz uma de suas personagens mais complexas. Ela está acostumada àquela vida rural, gosta de tomar conta da casa. Mas, no íntimo, tem uma sensibilidade adormecida. "O mais interessante da Cândida é o seu perfil, uma personagem cheia de nuances e facetas. Ela é tímida e, ao mesmo tempo, geniosa", observa.

Entrelaço
No capítulo de hoje de "Prova de Amor", da Record, Pati e Rafa, interpretados por Renata Dominguez e Cláudio Heinrich, vão se casar. Mas antes de selar o amor, os dois vão ter de enfrentar Lopo, vivido por Leonardo Vieira. O mau-caráter vai espalhar cobras pelo quiosque durante a cerimônia e deixa a mulherada desesperada. Nos bastidores da cena, o elenco não dispensava uma brincadeira aos medrosos. "Na hora que a produção ia soltar as cobras, todo mundo já estava bem longe", conta Renata, aos risos.

Saia-justa
Rodrigo Veronese está indignado com a postura do SBT. Primeiro, por saber que não ia ser mais o protagonista de "Cristal" através da imprensa. Segundo, porque para aceitar a proposta da emissora, ele teve de abrir mão de outros projetos profissionais. "Passei os últimos dois meses me preparando física e emocionalmente. Estudei textos e cheguei a gravar cenas da novela, fiz provas de figurino, maquiagem e testes de câmara", lembra, revoltado. Embora o diretor de teledramaturgia Herval Rossano tenha outro papel para ele na trama, Rodrigo não vai aceitar. "Não houve dignidade em me comunicar antes. Ainda não tem nada definitivo em relação ao meu futuro. Mas os meus procuradores estão cuidando de tudo", avisa. O papel de protagonista de "Cristal" vai ficar por conta de Dado Dolabella.

Futuro certo
Depois de dar vida ao caubói Peter Johnsode "Bang Bang", da Globo, André Bankoff vai mudar de emissora. O ator vai protagonizar
"Bicho do Mato", novela substitui "Prova de Amor", da Record. Na trama, o rapaz fará par romântico com a personagem de Renata Dominguez, que atualmente pode ser vista na pele de Pati na trama de Tiago Santiago. André está ansioso para dar início ao seu segundo trabalho na tevê. "Atuar em mais uma novela vai abrir uma grande porta para mim. Estou me dedicando e estudando interpretação. Espero colher bons frutos", torce.

Foi bem

A atuação de Bianca Comparato na pele da Maria João de "Belíssima", da Globo. A jovem tem uma interpretação leve e solta. Ela deixa a masculinizada personagem com um tom bem doce.

Foi mal

A cena em que BeSilver e Diana, interpretados por Bruno Garcia e Fernanda Lima, brigavam e depois se beijam em "Bang Bang", da Globo. Tal seqüência é recorrente na trama. Ao assistir, já não é surpresa o final. (topo)

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Rápidas

De mal com a vida · Lília Cabral poderá ser vista em "Páginas da Vida", próxima novela das oito da Globo. Na trama, a atriz vai aparecer na pele da mal-humorada Marta. A personagem é mãe de Nanda, vivida por Fernanda Vasconcellos, que vai morrer nos primeiros capítulos. Marta joga em cima do marido Leandro, interpretado por Marcos Caruso, todas as suas frustrações e culpas. "Ela é reclamona e se acha a mulher mais infeliz do mundo. É uma personagem bem carregada", observa Lília.

Terra encantada · Xuxa gravou novos quadros para o "TV Xuxa", da Globo, na Disney. A apresentadora passou oito dias no local e vai mostrar para o público infantil a inauguração de uma montanha-russa. A loura também fez "takes" ao lado dos famosos personagens Mickey Mouse e Pateta. A produção ainda não tem data definida para ir ao ar.

Carreira · Nesta semana, o "Re[corte] Cultural", da TVE Brasil, apresenta uma entrevista com Ney Matogrosso. Na conversa com Michel Melamed, o cantor fala sobre seus mais de 30 anos de carreira. O programa vai ao ar às 20h30.

Trabalho · Ana Paula Tabalipa vai integrar o elenco de "Prova de Amor", da Record. Na trama, vai fazer a policial Luiza.

Presença · Angélica vai receber a atriz Suzana Vieira no programa "Estrelas" do próximo sábado.(topo)

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Álbum e show "Vagabundo" renderam três prêmios à trupe de Pedro Luís Foto Divulgação

Pedro Luís e a Parede revisita uma década de trabalho

Evolução musical do quinteto carioca pode ser conferida no show que aterrissa hoje na Capital

Florianópolis - No período em que formaram uma bem-sucedida parceria com Ney Matogrosso, do começo de 2004 até o final de 2005, o grupo carioca Pedro Luís e a Parede fez mais de 180 apresentações e ganhou três prêmios com o show e o disco "Vagabundo". Foi um coroamento para os dez anos de carreira do conjunto, completados nesta segunda-feira. Rodando pelo Brasil misturando sonoridades em seu pop rock e abusando da percussão, os cinco meninos da banda retornam hoje à Capital - sem Ney, mas com todos os sucessos dessa uma década de música.
Depois de se apresentar em Florianópolis em 1998 e 2004, Pedro Luís agora faz um show baseado no CD "Seleção 1997-2004", que reúne canções incluídas originalmente nos álbuns "Astronauta Tupy" (1997), "É tudo 1 real" (1999), "Zona e Progresso" (2001) e no "Vagabundo" (2004). "Traçamos um panorama da sonoridade percussiva, das mensagens contundentes e da evolução musical da banda", diz Pedro Luís, responsável pela voz, cordas e composições, e que divide o palco com Mário Moura (baixo e vocais), SidoSilva, C.A. Ferrari e Celso Alvim, na percussão e nos vocais.
Planejando a gravação de um novo CD, o grupo também comemora o sucesso alcançado pelo Monobloco, criado por eles há seis anos a partir de uma oficina de música, e que neste verão, durante o Carnaval, arrastou entre 60 e 80 mil pessoas entre as praias do Lebloe Ipanema, atraídas pelo som diferenciado que unia percussão a composições variadas.

O QUÊ: Show musical PEDRO LUÍS E A PAREDE - PLAP. QUANDO: hoje, 21h. ONDE: Teatro Ademir Rosa, Centro Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis, fone (48) 3953-2300. QUANTO: R$ 50,00/R$ 25,00 (estudantes ou com um quilo de alimento não-perecível).(topo)

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Recital gratuito de Arthur Moreira Lima

Florianópolis - Há sete anos morador do Costão do Santinho, no Norte da Ilha de Santa Catarina, o pianista carioca Arthur Moreira Lima recebe hoje, da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, o título de "cidadão catarinense". Com trajetória musical reconhecida no Brasil e no exterior - morou duas décadas na Europa - ele aproveitará a cerimônia na Assembléia para fazer um recital de piano aberto ao público durante a entrega da honraria.
Atualmente com 65 anos de idade, Moreira Lima começou a estudar piano aos seis, e aos nove já tocava Mozart com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Chegou a estudar música em Paris e no Conservatório Tchaikovsky de Moscou, mas voltou ao Brasil em 1978 porque "sentia que aqui poderia participar do processo cultural de maneira ativa". Conseguiu patrocínio para oferecer uma série de concertos gratuitos pelo Brasil. No próximo dia 21, por exemplo, sairá em turnê de dois meses, fazendo shows ao ar livre em trajeto que vai de Foz do Iguaçu, no Paraná, até Xapuri, no Acre.

O QUÊ: recital de ARTHUR MOREIRA LIMA e entrega do título de cidadão catarinense. QUANDO: hoje, 19 horas. ONDE: Assembléia Legislativa de Santa Catarina, praça Tancredo Neves, centro, Florianópolis, fone (48) 3221-2500. QUANTO: gratuito.(topo)

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Obras no chão: interferência e estímulo ao debate na Aaplaj Foto Katia Nascimento/AN

Exposição
celebra 23 anos da Aaplaj

Joinville - Uma exposição fora do convencional marca os 23 anos da Associação dos Artistas Plásticos de Joinville (Aaplaj), nesta quarta-feira.
"Aaplaj 23 - Em Processo" se propõe a mostrar a natureza eclética do grupo de associados e discutir a produção local. Em vez de uma exposição pronta, o visitante encontra a galeria da Aaplaj com as obras expostas num formato diferente: no chão. Os organizadores acreditam que forçar uma visão distinta do habitual já estimula o debate. A idéia é que o grupo reflita sobre a montagem, relação entre um trabalho e outro, além das interferências que recebe no conjunto.
A exposição abre na seqüência do Projeto Integração. Nele, a ceramista Marli Swarowsky fala sua trajetória artística e linhas de pesquisa. A Aaplaj conta com 68 sócios ativos. Entre seus objetivos está a troca de experiências, valorização do artista, e representação da classe.

O QUÊ: Projeto Integração, com a artista plástica Marli Swarowsky, e abertura da mostra "Aaplaj 23 - Em Processo". QUANDO: Hoje, às 18 e 19h, respectivamente. Visitação: até 12 de maio, de terça a domingo, das 14 às 18 horas. ONDE: Galeria da Aaplaj/Galpão 13, Cidadela Cultural Antarctica, rua 15 de novembro, 1383, centro, Joinville. QUANTO: Gratuito.(topo)

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Espetáculo de
dança retrata a feminilidade

Florianópolis - As bailarinas Clarissa Melo, Daniela Alves, Paula de Paula, Talita Matos e Valeska Figueiredo dançam hoje o espetáculo "Universo Feminino" no Teatro Álvaro de Carvalho. Com um figurino que exibe roupas do dia-a-dia e coreografia de Elke Siedler, a apresentação retrata peculiaridades das mulheres refletidas no próprio corpo.
O espetáculo trata das qualidades próprias da mulher sob a luz do universo de cada bailarina e através do diálogo estabelecido entre elas e a própria composição coreográfica, discutindo a idéia de feminino sob uma perspectiva mais abrangente e diferenciada. A mudança da concepção de feminilidade é a grande meta do projeto. Sem masculinizar as mulheres, ele propõe derrubar conceitos que incitam a correspondência do ser feminino com denominações clichês, como graciosidade, beleza, submissão e fragilidade.

O QUÊ: Espetáculo de dança UNIVERSO FEMININO. QUANDO: Hoje, 21h. ONDE Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), praça Pereira Oliveira, 26, centro, Florianópolis, fone (48) 3028-8070. QUANTO: R$ 10,00/R$ 5,00 (para estudantes e maiores de 65 anos).(topo)

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Entidade que preserva obras
de Glauber Rocha ganha casa

Rio de Janeiro - O Ministério da Cultura e o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) formalizaram ontem doação da casa onde funciona o Tempo Glauber, instituição que preserva e divulga as obras do cineasta. O imóvel foi avaliado em R$ 400 mil e a solenidade contou com a participação do ministro Gilberto Gil.
Ele e o secretário do Audiovisual, Orlando Senna, anunciaram o reconhecimento, através de decreto publicado no "Diário Oficial", do arquivo privado do cineasta Glauber Rocha como de interesse público e social. A princípio, a medida não inclui nenhum aporte de recursos na manutenção do Tempo Glauber. "Mas se outras fontes de recursos não forem suficientes, é natural que se estabeleça uma conversa com o ministério", disse Gil. "Glauber não é mais da Bahia nem do Brasil, é do mundo", afirmou o ministro.
Durante o evento, foi lançado o DVD duplo de "Terra em Transe", considerado a obra-prima do cineasta. O filme foi restaurado digitalmente, já que os negativos originais haviam sido queimados num incêndio ocorrido no laboratório francês que os guardava. O DVD duplo é o primeiro da "Coleção Glauber Rocha", que incluirá ainda a remasterização em HDTV (formato digital de alta definição). O custo do projeto é de R$ 3 milhões, R$ 2,750 milhões patrocinados pela Petrobrás e R$ 250 milhões pela Eletrobrás.(topo)

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Crônica

Digressões para Valéria C.

A internet é o hospício mais democrático do mundo. A grande invenção no novo milênio abriga tudo sob seus telhados. Lá está também a Poesia, esta fêmea dada a afagos humanos. Lá encontrei Valéria C., uma espécie de leitora ideal, dona de um blog performático que transforma visualmente os versos de muitos escritores. Valéria C. apresenta-se com uma frase de Clarice tatuada nas costas: "pensar é um ato, sentir é um fato". E mais não precisa mostrar de si.
Ela me disse em um e-mail: "Tava pensando aqui no quanto podem ser solitários o pensar e o sentir e, em alguns casos, o conseqüente 'poetar', mas devia ser o contrário, porque significa ampliar e ampliar devia agregar". Coloco-me na frente do computador, entre uma consulta e outra aos oráculos da era moderna, e reflito sobre o paradoxo levantado pelas palavras de Valéria.
"Pensar é estar doente dos olhos", disse Alberto Caiero, que só queria olhar as coisas como elas são, sem transgredi-las com abstrações. Pensar nos remete a poços de angústia e, no entanto, é o que nos salva e ilumina, é o que nos eleva, pelo menos assim, pretensamente, pensamos.
O sentir nos animaliza. Um homem movido a sentimentos, sejam eles quais forem, é mais próximo da natureza, do instinto. Os rompantes da paixão, do ciúme. As obsessões provocadas pelo ódio, pela inveja. As gratitudes do amor. Quando sentimos nos aproximamos do Universo. Fernando Pessoa, naquilo que chamou de "Reflexões Paroxais" diz: "Sentir é criar. Sentir é pensar sem idéias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem idéias".
O poetar vagueia nas indefinições, faz fronteira com o absurdo e o sonho. Poetar é concretizar a solidão do pensar e do sentir. É tentar distribuir estes atos ao outro pela linguagem escrita, mas em forma de viés, de obliqüidades. Talvez por isso milhares de poemas ficam circunscritos ao fundo das gavetas. No começo da escrita poética, é difícil existir alguém que saiba mentir, imaginar. A grande maioria apóia-se sobre a verdade. Mesmo quem não se arvora poeta, apenas escreve 'suas coisas', ancora-se naquilo que sente e pensa. Por ser tão revelador o que traduzimos em escrita, o mundo externo nos exige este escondimento.
Pensar, sentir, poetar. Três verbos que diferenciam tanto os humanos dos demais seres da natureza. Três ações soterradas na solidão. Três ações feitas para o outro, para "ampliar", "agregar" nossa existência e que quase sempre executamos como se fossem coisas escusas, feitas de medo e crime. Nos vexamos, nos fechamos quando somos pegos em qualquer um desses atos. Poderíamos levar nossa vida mais pelo caminho contrário?

Rubens da Cunha, escritor
rubensdacunha@hotmail.com(topo)

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Múltiplas

Papa e MTV
Bispos e grupos católicos da Alemanha têm criticado "Popetown", um seriado humorístico sobre a Igreja Católica, o Vaticano e o papa, que a MTV pretende transmitir a partir de 3 de maio. A campanha publicitária antecipa que o programa fará referência a um "papa enlouquecido" e a "um cardeal criminoso" que, entre outras ações, vendem criancinhas órfãs para serem escravizadas. A Conferência Episcopal alemã promete recorrer ao Conselho de Vigilância da Publicidade. Os bispos alegam que o programa que é "uma provocação para os cristãos da Alemanha às vésperas da Páscoa". O "Popetown" foi produzido pela BBC, mas sua difusão na Grã-Bretanha foi censurada depois de uma série de protestos.

De graça
O estúdio Walt Disney vai colocar seus programas de tevê de graça na internet. Uma reportagem do "Wall Street Journal" garante que a empresa resolveu disponibilizar gratuitamente episódios de "Desperate Housewives" (foto) e "Lost", que atualmente são vendidos por US$ 1,99 cada no dia seguinte em que vão ao ar. Os programas vão poder ser baixados de um novo website. A única diferença é que uma nova tecnologia não vai permitir que os usuários adiantem os comerciais. O objetivo é deixar os patrocinadores felizes.(topo)

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Cerimônia de divulgação dos agraciados, segunda-feira, foi simples e contou com uma cobrança elegante do cumprimento do edital de cinema Foto Divulgação

Edital premia "Doce de Coco", de Penna Filho

Filme ganha R$ 760 mil do governo para ser rodado

Florianópolis - "Doce de Coco", do cineasta Penna Filho, é o projeto vencedor da categoria longa-metragem do Edital Prêmio Cinemateca Catarinense/Fundação Catarinense de Cultura (FCC). O nome dos premiados foi divulgado na noite de segunda-feira no auditório da Academia Catarinense de Letras, no Centro Integrado de Cultura (CIC), na Capital.
Penna levou um prêmio de R$ 760 mil - o orçamento "Doce de Coco" é de R$ 1,1 milhão. O projeto também está inscrito no edital do Ministério da Cultura e se for premiado, o valor será complementado por este segundo prêmio. Caso contrário, Penna vai captar a diferença através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
"Doce de Coco" é uma comédia dramática em que uma família vive na cidade imaginária de Fartura. O ano é 1999, uma brincadeira em torno das lojas de R$ 1,99, que, na visão de Penna, é um sinal de pobreza espiritual, um signo reducionista da vida.
Na edição deste ano houve 99 inscritos e foram premiados 19 projetos em seis categorias. A listagem dos vencedores foi mantida em sigilo até o momento da divulgação. A solenidade de abertura dos envelopes foi simples e com uma cobrança elegante do cumprimento do edital de cinema, que não foi realizado nos anos de 2003 e 2004.
Segundo Edson Machado, diretor da FCC, a classe cinematográfica pode contar com o cumprimento dos editais. "É obrigação do governo do Estado incentivar o processo artístico. E os artistas estão à frente deste processo de transgressão", disse. Edson garantiu que será agendado para breve um encontro dos cineastas com o governador Eduardo Pinho Moreira.
A presidente da Cinemateca, Lícia Brancher, destacou o amadurecimento do formato do edital, beneficiando categorias
de desenvolvimento de roteiros, produção de vídeos, curtas, documentários e de um longa-metragem.
A comissão julgadora foi integrada pela montadora de cinema Verônica Saenz, a jornalista e crítica de cinema Maria do Rosário, a diretora, roteirista e produtora Eunice Gutman, o roteirista e diretor de documentários e programas de TV Fabiano Maciel e o diretor e produtor executivo de cinema e publicidade Cícero Aragon. Os jurados elogiaram o alto nível das propostas de filmes e roteiros inscritos no concurso.(topo)

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