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Joinville Terça-feira, 16 de maio de 2006 Santa Catarina - Brasil

Anexo - A Notícia
Editor - Fabiano Melato
Editores assistentes - Rubens Herbst e Carolina Mar Pereira
cultura@an.com.br
A dança que Fidel libera para o mundo

A preços salgados, Ballet Nacional de Cuba mostra, em apresentação única hoje à noite em Florianópolis, clássicos e números populares

>> Balé cubano chega a SC com diva da dança mundial

>> Por um poder público sem religião

>> Crônica

>> Múltiplas

>> Mombojó descobre o caminho do sossego

>> Joyce e Dori Caymmi homenageiam a amizade

>> Pearl Jam retorna aos tempos das camisas de flanela

>> Copa do Mundo motiva nova febre de bola na literatura

>> Humor, drama, histórias e listas

>> Obra e mostra lançadas simultaneamente em Itajaí

>> Isabel Mir e o rio como inspiração


Beleza Companhia cubana em cena do espetáculo "A Magia da Dança", cuja turnê brasileira inclui a capital catarinense Foto: Divulgação

A dança que Fidel libera para o mundo

A preços salgados, Ballet Nacional de Cuba mostra, em apresentação
única hoje à noite em Florianópolis, clássicos e números populares
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ZAP

"Mulher tem mais prazer numa liquidação do que numa cama."

Marcelo Madureira, humorista do Casseta & Planeta, em seu programa no canal pago GNT

Samba no pé

Depois de brilhar na pele da vilã Cristina em "Alma Gêmea", da Globo, Flávia Alessandra vai fazer uma participação no último episódio de "Minha Nada Mole Vida". No seriado, a atriz vai interpretar uma engraçada rainha de bateria de escola de samba e será entrevistada por Jorge Horácio, personagem de Luiz Fernando Guimarães. "Foi muito engraçado. Ela é diferente de tudo que eu já fiz", valoriza a atriz, que gravou a cena na semana passada.

Parceria renovada
Ricardo Tozzi recebeu o convite de Carlos Lombardi para integrar o elenco de "Pé na Jaca", próxima novela das sete da Globo. Os dois já trabalharam juntos em "Bang Bang", onde Tozzi deu vida ao Dr. Harold. Como recentemente assinou contrato com a Globo, o ator diz que a sua participação na trama vai depender da escalação da emissora. Mesmo assim, ele não esconde a vontade de voltar a dar continuidade à segunda parceria com o autor. "Gosto da dinâmica do Lombardi. O texto dele é fantástico", derrete-se.

Na grande área
Luciano do Valle vai cobrir a Copa do Mundo da Alemanha pela Band. De lá, o apresentador comandará o "Apito Final", diariamente de 0h15 à 1h15. O programa vai ser itinerante e ele vai estar em todas as cidades que a seleção brasileira estiver. Além de Luciano, a emissora vai mandar para a Europa cerca de 50 profissionais da área de jornalismo. Pelo "Jornal da Band", Mariana Ferrão será a responsável pela cobertura do mundial.

Garoto esperto
O ator mirim Sérgio Malheiros poderá ser visto em "Bicho do Mato", próxima novela da Record. Na trama de Bosco Brasil e Cristiane Fridman, o pequeno vai aparecer na pele do serelepe Léo. O personagem é irmão do vilão Emílio, que vai ser interpretado pelo VJ Marcos Mion. "Ele vai disputar o amor de uma menina com o melhor amigo", adianta. O último trabalho de Sérgio na tevê foi em "Da Cor do Pecado", na Globo.

Foi bem

O texto da última matéria do "Fantástico", escrito e narrado por Pedro Bial. A reportagem fazia uma alerta sobre a importância da polícia, tendo como gancho os ataques de criminosos em todo estado de São Paulo e em outras cidades do Brasil. O jornalista passou emoção e mostrou a fragilidade do sistema de segurança brasileiro.

Foi mal

As entrevistas conduzidas por Faustão no "Domingão do Faustão", da Globo. O apresentador não se renova e conduz todas as conversas da mesma maneira. Ao assisti-lo dá uma sensação de déjà vu.(topo)

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Rápidas

TREMOR · Hoje, o SBT vai exibir o filme "O Dia que a Terra não Agüentou". No longa, a cidade de Seattle, nos Estados Unidos, é surpreendida por um forte terremoto. A produção vai ao ar às 22h30.

SUBINDO · Na última segunda-feira, o "Fala Brasil", da Record, registrou a média de 9 pontos e picos de 13 pontos na audiência. No mesmo horário, a Globo obteve a média de 11 pontos e o SBT de 6.

PATROA · Sílvia Pfeiffer vai fazer uma participação no programa "A Diarista" que vai ao ar hoje. A veterana vai dar vida a uma patroa de Marinete, de Cláudia Rodrigues.

HUMOR · Tom Cavalcante vai apresentar mais uma sátira no "Show do Tom", da Record. Hoje, às 22h30, entra no ar o quadro "Ridículos", uma paródia ao programa "Ídolos", do SBT. No quadro, o apresentador vai "encarnar" o apresentador Siltom Santos.

Amiga fiel · Leandra Leal vai estar no elenco de "Páginas da Vida", próxima novela das oito da Globo. Na trama de Manoel Carlos, a atriz viverá Sabrina, uma brasileira que estuda artes em Amsterdã. A personagem será a melhor amiga de Nanda, interpretada por Fernanda Vasconcellos, que vai morrer ao dar à luz um casal de gêmeos. "A Sabrina vai participar ativamente do momento da descoberta da gravidez e da crise entre Nanda e seu namorado, personagem do ator Thiago Rodrigues", adianta.

Proposta · Longe das novelas desde "A Lua me Disse", Paulinho Vilhena foi chamado para atuar em "Copacabana", novela que vai substituir "Páginas da Vida". O convite para trabalhar na trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares foi feito pelo diretor Dennis Carvalho. O ator, contudo, ainda não confirmou presença. (topo)

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Formado por uma constelação de bons dançarinos profissionais nascidos e crescidos em Cuba, balé se apresenta hoje na Capital Foto: Divulgação

Balé cubano chega a SC
com diva da dança mundial

Alicia Alonso fundou a companhia em 1948

Deluana Buss

Florianópolis - Fotos, só de um determinado lado do rosto. Perguntas sobre o apoio de Fidel Castro para a dança ou sobre política em geral, melhor não. A opção mais aconselhável é usar o material de divulgação como base para as perguntas. As orientações vêm dos assessores, e o centro delas é uma senhora de 86 anos, Alicia Alonso, a "diva das divas do balé mundial", como reforça o programa. Cubana, ela iniciou suas atividades profissionais na Broadway e durante mais de uma década dançou profissionalmente em Nova York. Em 1948 fundou, em Havana, Cuba, um balé com o seu nome, transformado em Ballet Nacional de Cuba em 1959, com a chegada de Fidel ao poder. De lá para cá, o grupo cresceu e conseguiu ultrapassar fronteiras.
Formado por uma constelação de bons dançarinos profissionais nascidos e crescidos na ilha, o balé cubano é chamariz do 20º Festival Internacional de Balé, que acontece em Havana no final de outubro, e somente em 2005 realizou turnês por países como Holanda, Espanha, Inglaterra, México e Tunísia, entre outros. Atualmente com sérios problemas de visão e locomoção, Alicia continua na direção-geral do balé, do qual é coreógrafa e primeira-bailarina absoluta. E é nessa condição que está hoje em Florianópolis, onde o grupo apresenta o espetáculo "A Magia da Dança", dentro de uma turnê que inclui diversas cidades brasileiras.
É uma boa oportunidade para apreciar, de uma só vez, algumas das coreografias mais famosas do balé clássico. Foram selecionadas cenas das obras "Giselle" (o momento em que o guarda-bosques Hilário visita o túmulo de Giselle e almas das virgens realizam suas danças), "Bela Adormecida"(o ato que corresponde às bodas da princesa Aurora e do príncipe Desiré), "Quebra- nozes" (que tem um dos mais bonitos duos clássicos da história do balé), "Coppelia" (onde Swanilda e Franz celebram suas bodas), "DoQuixote" (o momento em que os toureiros chegam à praça de uma aldeia de Castilla e uma dança de casamento) e "O Lago dos Cisnes" (o famoso pas de deux entre Odette e Siegfried resume a técnica, o estilo e os modos expressivos do balé clássico).
São todas coreografias de grande beleza e impacto garantido sobre os espectadores. No encerramento, os clássicos são deixados um pouco de lado, e o espetáculo oferece uma mostra da tradição clássica fundida com a graça e sensualidade dos bailes populares cubanos. É assim a alegre apresentação de "Fiesta Crioulla", sinfonia considerada uma das criações fundamentais do compositor e pianista norte-americano Louis Moreau Gottschalk (1829-1869).

O QUÊ: Espetáculo "A Magia da Dança", com o BALLET NACIONAL DE CUBA. QUANDO: Hoje, 21h. ONDE: Teatro Ademir Rosa, Centro Integrado de Cultura (CIC), av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis, fone (48) 3212-2300. QUANTO: R$ 200,00 / R$ 100,00 (estudantes, idosos ou com um quilo de alimento não-perecível). (topo)

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Por um poder público sem religião

Advogada lança livro que defende a laicidade do Estado

Florianópolis - Está na Constituição: o Estado brasileiro é um Estado laico, ou seja, não professa nenhuma religião. Ainda assim, é só usar os olhos para observar o uso de símbolos religiosos - como crucifixos, cruzes, bíblias, alguns enormes, outros estrategicamente bem posicionados - nas paredes de casas legislativas, plenários de tribunais e órgãos executivos. Afinal, a laicidade do Estado brasileiro é real? E o direito fundamental de liberdade religiosa vem sendo observado em sua plenitude? Com o objetivo de levantar essa discussão, e se possível ajudar a deixar nuas as paredes dos três poderes, a advogada Elza Galdino lança hoje, em Florianópolis, pela Editora Del Rey, o livro "Estado sem Deus - A Obrigação da Laicidade na Constituição".
Resultado de mais de uma década de pesquisas, a obra primeiro conceitua a liberdade, aprofundando-se na liberdade religiosa. Depois, descreve conceitos e características dos símbolos e adentra nas relações entre a Igreja Católica Romana e o Estado brasileiro, no passado e nos dias atuais. O terceiro e último tópico é o Estado laico, no qual detalha a externação da fé religiosa pelos poderes constituídos brasileiros e apresenta alguns casos concretos em que a religião acabou influindo nas decisões desses poderes, como a discussão no Supremo Tribunal Federal sobre a antecipação do parto de feto anencefálico. "Minha conclusão é que quando as crenças arraigadas são deixadas de lado, é possível julgar melhor, governar melhor, ficar mais universal, como deve ser o exercício do poder", conclui a autora.

O QUÊ: Lançamento do livro "ESTADO SEM DEUS - A OBRIGAÇÃO DA LAICIDADE NA CONSTITUIÇÃO", de Elza Galdino. QUANDO: Hoje, 19h. ONDE: Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SC), rua Paschoal Apóstolo Pítsica, 4.860, Agronômica, Florianópolis. QUANTO: R$ 30,00.(topo)

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Crônica

À mãe poesia

Inspirado em minha mãe e pelo dia que dizem ser seu.
Poesia, teu filho anda sem esperas, anda com esporas sobre o lombo. Cavalo do tempo. Melhor dizendo, muar do tempo: daqueles que carregam cestos cheios de pedra à beira dos precipícios. Tenho sentido tua falta, Poesia. Tuas ternuras, teus aprofundamentos de mãe que tanto me apetecem.
Não que eu tenha te abandonado, bem sabes das minhas visitas constantes, dos meus esforços em te honrar. Eu sonho é com algo mais livre, mais liberto das rotinas, das obrigações. Morar sempre contigo, nunca esquecer dos teus aconchegos. Sentar naquele sofá-estrofe no canto da página. Beber um verso-café feito na hora e nada ouvir além da chuva teimosa compondo um outono frágil. Chegar em ti é bom e fácil. O que dificulta tudo é o sair, o ausentar-se.
O mundo me chama, me exila dentro de uma casca-homem. Cumpro meu destino, meu desatino diário. Uso neste cumprimento o que tu me ensinaste: não ser tão reto, nem tão áspero ou pontiagudo, preferir sempre as formas curvas, as obliqüidades, os desníveis. Acredito em ti, mãe, mas o mundo, esta vasteza de solidões, exige-me o contrário, exige-me aquilo que não me ensinas. Aprendo, é certo, mas a que preço? Apesar deste conflito com o mundo, há em mim cisternas de agradecimentos. Eu sou teu filho. Excessivo, cheio de rebuscamentos, pretensioso. Eu sei que tu desprezas um pouco os enfeites na linguagem, os excessos. Perdoa-me, mãe, que sou criança e desconheço limites e perigos. Tento a cada dia ser menos expansivo, escrever menos bonito e mais cerne.
Não, poesia, não reclamo demais, mas é contigo, é em ti que desaperto as algemas, que desengasgo a garganta. Tu vives de palavras. As minhas estão aí, amargas quase todas, não que eu queira, mas assim elas se fazem em mim, assim elas acontecem neste teu filho. Às vezes, vejo meus irmãos tão apegados à felicidade.
Eles te visitam sempre com poemas tão leves, tão descarregados de dor, tão feitos de algodão e açúcar. E tu recebes a todos. Nós, os amargos, acreditamos intensamente que temos a tua preferência, mãe. Que nenhum poeta venceu o mundo cantando a felicidade. Foram apenas os que se apoiaram sobre as mazelas humanas, os desvios, as reverberações do ser, que tiveram honra e glória.
E ainda fazemos listas, desafios, apontamos cânones para comprovar a nossa verdade. Tu ris, passas a mão sobre minha cabeça, agasalha-me em teu colo. "Ah! Menino tolo, tenho por todos os meus filhos o mesmo apreço. Apenas olho mais de perto os frágeis". E assim, tonto de fraqueza, deito-me em teu colo e sereno.

Rubens da Cunha
rubensdacunha@hotmail.com

Excepcionalmente hoje não publicamos a crônica de Eduardo Socha(topo)

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Múltiplas

Mais uma lista
Kurt Cobaifoi eleito o maior astro do rock de todos os tempos. A votação foi promovida pelo semanário inglês "New Musical Express". O líder do Nirvana, que se suicidou em 1994, ficou à frente de Pete Doherty, do Babyshambles, que toma conta dos tablóides locais com as notícias de suas várias prisões por portes de drogas. A revista minimizou a escolha de Doherty e disse que seu vício ganha mais destaque atualmente do que sua música. Os mais de dois mil eleitores da pesquisa colocaram Morrissey no terceiro lugar, Liam Gallagher (Oasis) no quarto e Carl Barat, ex-Libertines (a banda original de Doherty), em quinto. O top 10 inclui ainda Thom Yorke (Radiohead), Noel Gallagher (Oasis), David Bowie, IaBrow(The Stone Roses) e IaCurtis (Joy Division).

Björk na caixa
Fãs de Björk (foto) vão ganhar mais um item de colecionador. A cantora islandesa lança uma caixa com sete discos, incluindo todos os trabalhos musicais e vários vídeos. Os álbuns "Debut", "Post", "Homogenic", "Vespertine" e "Medulla", além das trilhas sonoras de "Dancer ithe Dark" ("Selmasongs") e "Drawing Restraint 9", foram remasterizados para a caixa, apropriadamente batizada de "Surrounded" ("Cercado"). O lançamento no mercado internacional é em 27 de junho.(topo)

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Mombojó descobre o caminho do sossego

Banda opta por simplicidade no segundo disco mas não abre mão de aglutinar sons e referências

Rubens Herbst

Joinville - Durante o Curitiba Pop Festival de 2004, o público do segundo dia do evento tomou um susto quando o Mombojó tomou o palco. Ali estava uma banda de Recife que não seguia exatamente a estética mangue beat, mas vasculhava a contemporaneidade fundindo música brasileira, rock e eletrônica com uma veia poética afiada. Muitos o elegeram o melhor show do festival, e o primeiro disco do grupo, "Nadadenovo", freqüentou as listas de melhores do ano. Depois da revelação, a expectativa do segundo álbum e um novo susto: "Homem-espuma", lançado agora pela Trama.
A surpresa é porque a guinada do Mombojó se deu para dentro, ainda que suas antenas estejam sintonizadas com a música universal. Se no primeiro disco parecia que a banda queria enfiar todos os sons do planeta em cada uma das 15 faixas, erguendo um turbilhão de sensações nem sempre paletáveis, "Homem-espuma" assume que essa é uma tarefa das mais complicadas. Ele continua absorvendo, aglutinando, lapidando, mas tendo a simplicidade como ponto de chegada.
É difícil aceitar isso de um grupo com tantas referências e que valoriza a riqueza instrumental, mas não há outro jeito de encarar. Até porque os próprios músicos não escondem essa busca pela introspecção. "É uma evolução natural", diz o guitarrista Marcelo Machado, com exclusividade para o Anexo. "No primeiro disco, a gente tentou colocar o maior número possível de doideiras. O segundo teve a visão de dois produtores, e a nossa coerência musical ficou melhor resolvida".
Segundo ele, o trabalho de Daniel Ganjamae Lúcio Maia, da Nação Zumbi (em três faixas), se concentrou mais em deixar o estúdio no ponto para o Mombojó fazer seu trabalho. Aliás, mesmo com uma estrutura muito maior à disposição, os recifenses não modicaram sua disposição ao sossego - mesmo porque a banda chegou para gravar com muita coisa pronta. Nesse espírito, o baixo assume papel de destaque, guitarra e bateria são minimalistas, os elementos eletrônicos são estilhaços e a voz de Felipe desenha contornos bossanovísticos. É assim, por exemplo, em "O Mais Vendido" e "Novo Prazer", que abrem o disco.
O Mombojó também preenche a calmaria com espasmos guitarrísticos e dramaticidade ("Realismo Convincente"), compõe um candidato a hit radiofônico ("Saborosa") e se traveste de banda heavy ("Desencanto"). Mas sua essência está em faixas como "Tempo de Carne e Osso", um clima urbano enevoado que estabelece um diálogo entre vozes masculinas e femininas, "Fatalmente" e "Homem-espuma", transpassados por teclados, órgãos e sintetizadores que emulam o mais puro espírito sixties. Culpa da banda inglesa Stereolab, segundo Machado. "A gente ouve muita música. Em algumas faixas conseguimos introduzir novas referências. Tudo é muito natural, nada é pensado", garante.
Como não é dado a nostalgia, o grupo se sente à vontade para namorar o soul na balada "Vídeo-game" e redobrar o groove em "Pára-quedas". Falando nisso, o Mombojó é um exemplo de banda empenhada em humanizar a eletrônica, como atestam "Singular" e "Minar" e os recortes de samba que surgem aqui e acolá. "A gente usa muito sampler, não só batidas, mas também ambiências, citações, vozes, ele está presente em quase tudo, mas para complementar as músicas", frisa Marcelo, sem descartar que, no futuro, o Mombojó crie uma faixa totalmente eletrônica ou totalmente "banda". "O que fazemos mesmo é misturar as duas coisas".
Quem conferiu recentemente essa nova fase foram os europeus. O grupo passou duas semanas na Europa, onde tocou em Portugal - foi atração de dois festivais de música brasileira - e na Espanha. "Em Valladolid, que é uma cidade universitária, a maioria do público era de Recife. Em Barcelona, tocamos no dia que em que o Barcelona foi campeão, e para impedir tumultos, foi proibido entrar com camisas de times, o que diminuiu bastante a platéia. Mas foi massa, pegamos
um equipamento muito bom", conta o guitarrista.(topo)

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Banda acaba de voltar de quatro shows na Europa, onde mostrou o repertório de "Homem-espuma" Foto: Divulgação

Joyce e Dori Caymmi homenageiam a amizade

Rio de Janeiro - Apesar da diferença de idade, Dori Caymmi e Joyce se consideram da mesma geração e têm história afetiva e musical comum. Ele foi arranjador do primeiro disco dela, nos anos 60, e volta e meia, nesses 40 anos, ambos fizeram shows juntos, especialmente no exterior. O disco "Rio-Bahia", da Biscoito Fino, é o primeiro que os dois assinam juntos. Foi lançado no Japão, Estados Unidos e Inglaterra, onde eles se apresentaram com o repertório, mas demorou até uma gravadora brasileira editá-lo aqui, embora as 13 faixas sejam de música genuinamente brasileira.
"O álbum foi encomenda de lá e, quando eu sugeri fazê-lo com Dori, todo mundo adorou. A gente sempre gostou das músicas um do outro e escolhemos as faixas entre o que havia de inédito, ou quase, e outras composições feitas para o disco", conta Joyce.
Para fazer o disco, os dois se encontraram no Rio no início do ano passado. Dori trouxe o samba "Fora de Hora", parceria com Chico Buarque, que Joyce canta; ela veio com "E Era Copacabana", com melodia de Carlos Lyra, que ele canta. Nesta e em quase todas as faixas, respira-se uma bossa nova saudosa de tempos em que o Rio era otimista e o carioca, em lugar de reclamar, gostava de ufanar-se de sua cidade. Nostálgica é "Saudade do Rio" (de Dori e Paulo César Pinheiro, que assina parte das letras). Mas há também muita baianidade, em faixas como "Mercador de Siri" e "Flor da Bahia" (mais duas de Dori e Pinheiro).
"Rio-Bahia" tem ainda dois clássicos, "Pra que Chorar", um hino ao otimismo, de BadePowell e Vinicius de Moraes, e "Saudade da Bahia", de Dorival, que Joyce cantou acompanhada por seu violão e o piano de Kenny Werner, um americano sem sotaque e totalmente jobiniano.
Do fundo do baú, eles acharam "Joãozinho Boa Pinta", samba da primeira metade do século passado, assinado por Geraldo Jaques e Haroldo Barbosa. Além de ser um disco de sambas, com levada bossa nova e uma ode à música brasileira, "Rio-Bahia" é a celebração à amizade. (Beatriz Coelho Silva/AE)(topo)

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Pearl Jam mostra que continua capaz de produzir discos tão bons como os do início da carreira Foto Divulgação

Pearl Jam retorna aos tempos das camisas de flanela

Marco Bezzi
Agência Estado

São Paulo - Dizem que as boas notícias, quando chegam, vêm em conta-gotas. Felizmente, não é amparado nessa premissa que o ano da música vem se comportando até o mês de maio. Além da pilha de excelentes lançamentos, o Pearl Jam (quem diria?) provou que ainda tem fôlego de sobra para colocar todo grunge saudosista para dançar. Após anos errantes, uma centena de discos ao vivo - que culminaram com shows redentores no Brasil -, o grupo parecia perto da aposentadoria. No entanto, a banda voltou às raízes e coloca nas prateleiras o CD "Pearl Jam", seu melhor trabalho desde
"Yield", de 1998.
Eddie Vedder corria preocupado com seus monólogos sobre o nada, enquanto seus companheiros se portavam mais como professores de colégio particular do que rockstars. Os discos pareciam a continuação sôfrega dos trabalho anteriores. Qual a surpresa quando a canção
"World Wide Suicide", deste álbum, foi disponibilizada na internet. O Pearl Jam da fase "Ten"/"Versus"/"Vitalogy" estava de volta. Talvez por isso, o nome do disco seja homônimo à banda. Trata-se de um álbum dos mais prazerosos quando tocado, especialmente para quem acompanhou a ascensão do quinteto de Seattle desde a era das camisas de flanela. E vai direto ao ponto. Há rock pesado com guitarras distorcidas em "Comatose" e "Big Wave", faixas com molho agridoce ("Marker ithe Sand" e "Come Back", emocionante) e até baladinha para os apaixonados ("Gone"). Em resumo, toda a grande alquimia que fazia do Pearl Jam a banda mais afável e recomendável de sua geração. Mais do que uma volta por cima de Eddie Vedder e companhia, vai ser muito bom poder colocar o Pearl Jam novamente na votação de melhores álbuns do ano.

Sobreviventes

Os profetas do apocalipse metralham: o grunge foi enterrado no momento em que Kurt Cobaideu um tiro na própria cabeça. Talvez seja isso mesmo. Os coturnos, gorros, bermudões e camisas de flanelas voltaram para dentro dos armários. Felizmente, para quem cresceu ao som de "Smells Like TeeSpirit" e "Jeremy", os dias de ressaca estão perto do fim. Ao menos com duas notícias que deixaram as barbichas dos "grungeiros" de pé. Além do excelente trabalho lançado pelo Pearl Jam, o Alice IChains, do finado vocalista Layne Staley, morto em 2002 em conseqüência de uma overdose, está de volta.
Um tímido retorno ocorreu em um especial para o canal americano VH1. Convidados como Phil Anselmo (ex-Pantera), que cantou "Them Bones e Would?", e Duff McKaga(ex-Guns'n'Roses e atual Velvet Revolver), que fez a segunda guitarra na apresentação, aceleraram os velhos corações da geração anos 90. A banda anunciou seu retorno com o desconhecido vocalista William DuVall para uma turnê que englobará Estados Unidos e Europa - com agenda cheia entre o dia 18 de maio e 11 de agosto. Duff também está cotado para seguir com a grupo.(topo)

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Brasileiros comemoram conquista do penta, quatro anos atrás. Esperança do hexa motiva enxurrada de lançamentos sobre futebol Foto: Arquivo AN/Copa 2002

Copa do Mundo motiva nova
febre de bola na literatura

A poucos dias do Mundial, dezenas de lançamentos sobre futebol desembarcam nas livrarias brasileiras

São Paulo - No dia 9 de junho, boa parte da população do planeta vai estar com a atenção concentrada em um terreno retangular de grama, na cidade de Munique. Ali, às 13 horas (pelos ponteiros de Brasília), Alemanha e Costa Rica vão dar início à 18ª Copa do Mundo de Futebol, o maior evento do esporte. A esperança de que a Seleção Brasileira conquiste seu sexto título é tamanha que empolgou até mesmo setores normalmente pouco interessados em futebol, como as editoras de livros.
Próximo do início do Mundial, as livrarias foram inundadas por uma inédita febre de bola, com lançamentos que oferecem tanto análises e biografias de jogadores como Ronaldo e eventos clássicos, quanto crônicas e romances inspirados no esporte mais popular do mundo. O oportunismo é evidente, assim como a qualidade de alguns títulos.
As primeiras obras a chegar trazem seleção de textos. Em "11 Histórias de Futebol" (Nova Alexandria), escritores foram convocados a exaltar o mundo da bola. Em outra seleção, "22 Contistas em Campo" (Ediouro), o especialista Flávio Moreira da Costa reuniu até um texto raro, do inglês Patrick Kennedy, autor, segundo Costa, do primeiro conto do mundo em que o jogo de futebol aparece, misturado a assombrações.
É curioso observar a presença de nomes contemporâneos, como Ignácio de Loyola Brandão e Moacyr Scliar (representado por um texto inédito), cuja admiração pelo futebol contrastou com o desprezo de outros escritores ilustres, valorosos atacantes da disseminação do bate-bola como Graciliano Ramos (que acreditava ser a capoeira o esporte nacional) e Lima Barreto (cujo desprezo era tamanho a ponto de fundar a Liga Brasileira contra o Futebol).
Embora tenha selecionado textos de mais de 20 autores, Moreira da Costa reconhece, na introdução do livro, a dificuldade de encontrar o futebol como tema na literatura brasileira. Ele arrisca um palpite: o futebol seria uma expressão em si mesmo, no Brasil e em outros países. "E se o futebol é uma expressão em si mesmo, toda outra expressão estaria condenada a se diluir", observa. "Como se fosse um discurso sobre o discurso, redundância e, como toda redundância, imagem enfraquecida".
No time contrário, o antropólogo Roberto DaMatta buscou subsídios para explicar como um jogo tão alheio à índole nacional pode acabar virando a cabeça dos brasileiros. Peladeiro virtual, ele selecionou crônicas e ensaios para formar "A Bola Corre mais que os Homens", que a Editora Rocco lança nesta semana.
Aproveitando o momento, a Nova Fronteira reedita um importante texto há muito esgotado: "Vida que Segue", de João Saldanha com crônicas sobre as copas de 66 e 70, organizadas por Raul Milliet. Jornalista, técnico da Seleção antes da conquista do tri no México, Saldanha era uma figura singular. Com uma visão humanista da vida, da política e do futebol, ele buscava a valorização da cultura brasileira.
Em seu artigo "Vitória da Arte", após a conquista no México, resumiu sua filosofia de vida e de bola: "Antes de mais nada, quero dizer que a vitória extraordinária do Brasil foi a vitória do futebol. Do futebol que o Brasil joga, sem copiar de ninguém, fazendo da arte de seus jogadores a sua força maior e impondo ao mundo futebolístico o seu padrão, que não precisa seguir esquemas dos outros, pois tem sua personalidade, a sua filosofia, e jamais deverá sair dela".(topo)

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Humor, drama, histórias e listas

Os grandes dramas brasileiros inspiraram não apenas lágrimas, mas relatos de qualidade. Em 2000, Roberto Muylaert lançou "Barbosa - Um Gol Faz Cinqüenta Anos" (Ícaro), emocionante saga do goleiro Barbosa, da Seleção Brasileira derrotada pelo Uruguai no Maracanã por 2 a 1, no dia 16 de julho de 1950. Já o drama de Ronaldo antes da final vencida pela França, em 1998, continua um mistério. É o que conclui o inglês James Mosley, em "Ronaldo - A Jornada de um Gênio", lançado agora pela Verus.
Também presente à fatídica final da França, Mario Prata preferiu relembrar aquela Copa de forma bem humorada. "Paris, 98" conta a história de Gregório, um brasileiro de classe média baixa que ganha numa promoção a chance de assistir aos jogos ao vivo e jura para a mulher que vai só para vender os ingressos - afinal, estão devendo mais de R$ 10 mil para o agiota. Mas, no momento exato, ele decide assistir a tudo e ainda arruma uma amante na excursão.
Provocar risadas é a intenção ainda do casseta Hélio de la Peña que, também pela Objetiva, lança agora "Vai na Bola, Glânderson", que conta a história de Glânderson, aspirante a craque que perdeu dois dedos do pé direito em um acidente, o que dá ao seu chute um efeito único.
O humor também dá o tom de "Deixa que eu Chuto 2 - A Missão" (Relume Dumará), de Renato Maurício Prado, e "Causos da Bola" (Editar), de Victor Kingma, reuniões de histórias nem sempre verdadeiras mas folclóricas, que contribuem para o encanto do futebol.
Outro apaixonado pela bola (e por listas), o inglês Nick Hornby convidou outros escritores com a incumbência de cada um escrever sobre cada uma das 32 seleções classificadas para a Alemanha. O resultado é o curioso "O Guia Cult para a Copa do Mundo", que a Editora Rocco lança no fim de maio.
Debaixo do outro braço, outra opção é o relançamento de "Um Brasileiro em Berlim" (Nova Fronteira), que João Ubaldo Ribeiro escreveu quando morou na Alemanha, nos anos 90. Também interessado em apresentar um detalhado levantamento da história do esporte no País, João Máximo escreveu "Brasil: Um Século de Futebol, Arte e Magia" (Aprazível), edição bem cuidada, com fotografias e outras imagens complementando o texto.
Outra interessante lista, dedicada à moçada, é o que oferece "O Mundo é uma Bola" (ática), seleção de textos escritos por Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Millôr Fernandes e outros craques, promovendo uma valorosa introdução futebolística às letras.(topo)

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Obra e mostra lançadas
simultaneamente em Itajaí

Capas de livro e biografia serão apresentados hoje à noite

Marcelo Roggia
Correspondente

Itajaí - A exposição "Primeiras Capas", da artista plástica e escritora Silvia Teske, e o do livro "Vale a Pena Viver", de Léo Machado, serão lançados hoje, às 19 horas, na Galeria de Arte de Itajaí. A mostra vai até o dia 8 de junho, com visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 18 horas. Por meio de pinturas, Silvia retrata a importância das capas de livros no interesse das pessoas à leitura. A escolha por pintar capas vem da miscigenação possível entre títulos, desenhos, texturas, cores, texto, tanto visual quanto literário, levando o leitor a construir suas próprias histórias.
"A capa dos livros, contendo imagens e suas frases de impacto, são o primeiro incentivo à leitura. Como escritora, descobri que também percorria uma busca visual", argumenta a artista, na tentativa de mostrar que cada capa de livro conta sua própria história.
Já o livro de Léo Machado traz as memórias de sua sobrevivência. Natural de Tijucas, o autor, filho de uma mulher de origem humilde, passou grande parte de sua infância e juventude entre a Vila da Armação do Itapocorói (Penha) e a cidade de Itajaí, onde foi dirigente sindical e participante da União Intersindical dos Trabalhadores.
Em 1961, mudou-se para o Rio de Janeiro. As dificuldades para estudar, devido à falta de recursos, transformaram-no em um autodidata "devorador de livros", sobretudo os de cunho político-social, o que o levou a aproximar-se dos ideais socialistas que lhe passaram a visão de um mundo onde predominasse a justiça, a liberdade e o trabalho para todos.
O autor desenvolveu intensa atividade política através de uma longa militância em organização de esquerda na clandestinidade, até ser preso em 1965, condenado pela Lei de Segurança Nacional e posteriormente anistiado. O lançamento do livro acontece em parceria com a Escola de Governo e Cidadania e com o apoio da Associação Catarinense de Anistiados Políticos.

O QUÊ: Abertura da mostra "Primeiras Capas", da artista plástica e escritora Silvia Teske, e lançamento do livro "Vale a Pena Viver", de Léo Machado. QUANDO: Hoje, às 19 horas. ONDE: Galeria de Arte de Itajaí, rua Lauro Muller, n° 53, Centro, no prédio da Fundação Cultural, Itajaí, (47) 3349-1214. QUANTO: Gratuito.(topo)

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Isabel Mir e o rio
como inspiração

Blumenau - O rio Itajaí-açu serviu de inspiração para a artista indaialense Isabel Mir, que abre hoje, no Saguão do bloco A (campus I) da Universidade Regional de Blumenau (Furb), a exposição "Rio Itajaí em Aço e Canto". A mostra abre hoje às 20 horas, e segue até o dia 8 de junho.
Isabel Mir é uma artista que se propõe a medir forças com as leis do mundo natural e cultural, como uma aventureira, em metamorfose, aprisionada em seu próprio discurso mas que entre seus enlaces permite vislumbrar alem, da própria alma.
Como mulher mortal, é um ser em busca do novo, alem de si mesma, como se só em partes pudesse atravessar a rede construída pelos efeitos e defeitos, percepções ou esquematização da vida cotidiana, em que toda a sua aventura está não no rompimento com o comum, mas a busca de si mesma, que a identifique a torne imutável e a perpetue. A artista emerge à superfície de sua obra, com sua nova linguagem fruto de anos de estudo.
Neste novo mundo de liberdade da linguagem que se manifesta em suas obras, se torna mais nítida, e pactua com a natureza, desconstruindo sem constrangimentos até a própria natureza que a artista captura em suas obras, como é o caso da exposição "Rio Itajaí em Aço e Canto".A gênese da criação da obra de Isabel Mir, em suas versões materiais e espirituais, percebe-se metamórfica, codificada, enquanto simula o simples, desafia todas as interpretações, quando a artista faz uma nova obra com as mesmas formas. (José Carlos Góes, correspondente)(topo)

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