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Joinville Quinta-feira, 16 de março de 2006 Santa Catarina - Brasil

Anexo - A Notícia
Editor - Fabiano Melato
Editores assistentes - Rubens Herbst e Carolina Mar Pereira
cultura@an.com.br
De cara nova, Masc reabre em grande estilo

Para festejar a reformulação do espaço, museu inaugura quatro exposições de dois artistas: Silvana Leal e Hassis

>> Rápidas

>> Blumenau reverencia o talento de Alberto Luz

>> Cama apresenta formas femininas digitalizadas

>> Poeta brinca com as palavras em "Mi/ni/Mo"

>> Crônica

>> Múltiplas

>> Plano quer aumentar leitura no Brasil

>> Não existem garantias legais

>> A biblioteca (in) disciplinada de Mindlin

>> Paixão por história e literatura motivou coleção

>> Encontro debate a dança para o palco e para o vídeo

>> Mácleim, Ezequiel Lima e "Nós Quatro" no Pixinguinha

>> NelsoPereira na ABL é tributo ao cinema nacional

>> Diretor lança em abril novo "Brasília 18%"

LENTES Silvana Leal expõe a mostra "O Forasteiro", série fotográfica inspirada em poema homônimo de Jorge Luís Borges Foto Divulgação

De cara nova, Masc reabre em grande estilo

Para festejar a reformulação do espaço, museu inaugura quatro exposições de dois artistas: Silvana Leal e Hassis

JéfersoLima

Florianópolis - Depois de mais de três meses fechado para reforma, o Museu de Arte de Santa Catarina reabre hoje suas portas. Já no saguão o público vai perceber que o espaço interno foi reformulado e que o museu agora dispõe de um eficiente e moderno sistema de climatização.
Para festejar a reabertura do principal espaço das artes plásticas do Estado, serão inauguradas quatro exposições de dois artistas: Silvana Leal e Hassis (1926-2001). Fotógrafa e escritora, Silvana apresenta "O Forasteiro", uma série fotográfica captada em Buenos Aires e inspirada em poema homônimo de Jorge Luís Borges. Numa segunda sala, ela exibirá uma instalação com o corpo humano como objeto principal.
A mostra "Assim Hassis", que comemora os 80 anos de nascimento do artista, vai reunir 60 fotos e 140 desenhos. A movimentação em torno do aniversário do curitibano, criado e adotado por Florianópolis, acontece em toda a cidade. São nove mostras e atividades paralelas que discutem a multiplicidade da linguagem do homenageado.
Conforme João Evangelista de Andrade Filho, diretor do Masc, na reformulação do museu, a sala Harry Laus - a única que era climatizada - vai passar agora a abrigar o acervo da casa. Mas, por enquanto, o espaço está vazio e vai ser ocupado pela exposição "Cerâmica e Porcelana do Japão - Geração Emergente", que vem de Porto Alegre (RS) para Florianópolis no dia 31 de março.
Para delimitar um percurso "cinematográfico" pelas ruas, construções e manifestações populares da cidade de Buenos Aires, a artista itajaiense Silvana Leal, que vive em Brasília e Florianópolis, optou em seguir a gramática do poema de Borges.
As imagens captadas por Silvana ganham um caráter de pintura por meio das lentes da artista. As fotografias foram produzidas sem manipulação e ultrapassam o simples documento da realidade. O resultado são imagens de manifestações populares, gente indo e vindo, ruas e construções fazem parte de um imaginário, do sonho da artista.
"O Forasteiro" foi concebido especialmente para o Festival de Fotografia Foto Arte 2005 e apresentado no Teatro Nacional Claudio Santoro, em setembro do ano passado, em Brasília, numa coletiva com mais cinco fotógrafos, entre eles, Walter Firmo e Evandro Teixeira. A curadoria foi do artista Bené Fonteles, que se referiu ao trabalho de Silvana Leal como "iluminuras contemporâneas".
Na segunda sala, onde Silvana montou uma instalação- surpresa, a proposta é lançar um alerta para "Todocorpo", título de seu novo trabalho, composto por livro e exposição multimídia com circulação prevista para breve. "Procuro o ser que se encontra na procura", diz a artista. Silvana é também psicóloga e autora do livro "Erotismo nos Lábios", publicado em dois volumes, um com palavras e outro com imagens. É possível conhecer melhor o seu trabalho pelo site www.silvanaleal.com.

O QUÊ: Exposições "ASSIM HASSIS - Desenhos e Fotos" e "O FORASTEIRO", de Silvana Leal. ONDE: Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) no Centro Integrado de Cultura (CIC), avenida Governador Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis, fone (48) 3953-2300. QUANDO: Abertura hoje, às 19h30. Visitação até 16 de abril, de terça a domingo, das 13 às 21h. Para escolas, o Masc oferece visitas monitoradas gratuitas abertas a turmas de 10 a 35 pessoas, mas com agendamento pelo telefone (48) 3953-2324. QUANTO: Entrada franca. (topo)

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Trabalhos revelam o
mestre para o público

"Assim Desenhos", com curadoria de João Evangelista, e "Assim Fotógrafo", com curadoria de Philippe Arruda, reservam agradáveis surpresas. São visões do artista em duas linguagens pouco conhecidas do grande público.
Para Fernando Boppré, coordenador geral do projeto "Assim Hassis", a exposição dos desenhos coloca em evidência todo um universo de trabalhos realizados cotidianamente por Hassis. Anotações, estudos e esboços que assinalam um pouco de sua formação artística, diz ele. João Evangelista assegura que, "pela primeira vez, o público terá uma visão intensa e extensa da base da arte de Hassis. Essa base é o desenho e o desenho dele era muito bom". "Na arte de Hassis há um fator de base decisivo para sua carreira e que até hoje não foi apreciado em exposição cuja abrangência pudesse evidenciar o fôlego que tantas vezes se renovou em seu itinerário artístico. Este fator é a mão do desenhista", completa.
A mostra apresenta mais de 50 anos de desenhos. "Em seu tempo, Hassis foi o artista que, com mais conseqüência e solidez, representou a inquietação, o gosto pela experiência e, sobretudo, a compreensão de que a arte, no campo que lhe é próprio, para além da expressão pessoal, é um processo que faz parte da contínua investigação dos nexos de uma rede de relações socialmente construídas. Não há poética sem história. Nem estrela sem uma constelação de valores", reflete João.
Segundo o curador Philippe Arruda, da mostra "Assim Fotógrafo", Hassis surpreende mesmo a quem acha que conheceu toda a extensão de seu talento. "Para mim, foi uma grata surpresa o que encontrei, especialmente no material de slides feitos nas décadas de 60 e 70. Nas fotografias de Hassis aparece um experimentador nato, com ângulos fora do padrão, imagens desconstruídas e retratos inusitados com o cotidiano como o seu principal tema. (JL)(topo)

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ZAP

"Um dia, meu professor criticou minha redação. Disse que o texto tinha reticências demais, que parecia coisa de Rubem Braga. Naquele momento, eu me levantei e disse: muito obrigado, acabo de abandonar a carreira militar. Fico com o Rubem Braga."

Gilberto Braga, autor, contando sobre o fato ocorrido no cursinho preparatório para a Escola Naval

Bom de briga

Marcelo Serrado não esconde o cansaço físico por conta das gravações de "Prova de Amor", da Record. Não é para menos. A maior parte das cenas do intérprete de Daniel é justamente de ação. Vira e mexe, o rapaz tem de fugir do mau-caráter Lopo Jr., de Leonardo Vieira. Em certos momentos, ele ainda tem de lutar com o vilão. Tais seqüências exigem muita concentração do ator. Qualquer deslize pode machucar o companheiro. Para não fazer feio na novela, Marcelo faz aulas de boxe e muay tai. "Essas cenas são muito trabalhosas. A gente tem de repetir várias vezes e demonstrar a mesma emoção em todas", conta.

Diferentes
Apesar de coronel Ferreira e dona Cândida, interpretados por Osmar Prado e Patrícia Pillar, se amarem muito em "Sinhá Moça", os dois têm opiniões diferentes sobre o escravagismo. Cândida aceita as idéias abolicionistas da filha, vivida por Débora Falabella, mas esconde este sentimento por medo do marido. Também pudera. O Barão de Araruna é extremamente inflexível com a questão dos negros e não aceita a idéia da abolição. "O coronel não criou o escravagismo. Ele já nasceu dentro do regime. Não o considero um vilão. Ele só se preocupa com a fazenda", absolve o ator.

Nervos
Assim que terminarem as gravações da minissérie "JK", Débora Bloch vai se dedicar à série "Toma Lá, Dá Cá", que entra na grade de programação da Globo no segundo semestre. No seriado, que foi ao ar pela primeira vez como especial de fim de ano, em dezembro último, a atriz dá vida à estressada Rita. A personagem é casada com Arnaldo, interpretado por Diogo Vilela, mas vive em torno dos problemas com seus filhos e seu ex-marido Mário Jorge, de Miguel Falabella. O que mais encanta a atriz no projeto é a oportunidade de trabalhar com amigos e de interagir com a platéia. "Com o público por perto é melhor porque temos uma resposta imediata do que funciona e do que não funciona", avalia.

Ele é o bom
Vanderlei Luxemburgo vai apresentar o reality show "Joga Bonito", da Band. A produção, que tem o mesmo formato do "Joga Dez", terá oito edições e será exibida aos domingos, às 21 horas. O atual técnico do Santos está bem animado com a nova função. Apesar da pouca modéstia, que não é o seu forte, Vanderlei acredita piamente que fará um bom trabalho no comando do programa. "Quando o jogador é bom, eu bato o olho e sei se ele tem talento ou não. Se passar pela minha avaliação é que tem muita qualidade", gaba-se.

Ajustes
Herval Rossano interrompeu as gravações de "Cristal", próxima novela do SBT, para fazer algumas mudanças. O novo diretor de teledramaturgia da emissora quer dar sua cara à trama. Os protagonistas continuam os mesmos, mas Herval pretende mudar alguns nomes do elenco. Como Silvio Santos comprou câmaras digitais para a produção, ele também vai contratar um bom diretor de fotografia. Tudo para a obra ficar impecável. "Quero fazer o mesmo que fiz na Record. O que eu mais gostei é que o Silvio me deu a liberdade para mexer no que fosse necessário", conta. A estréia de "Cristal", antes prevista para o final de março, foi adiada para abril.

Foi bem

A atuação de DantoMello em "Sinhá Moça", da Globo. O ator está bem à vontade na pele do advogado Rodolfo. Além de ser carismático.

Foi mal

A novela "Dando Entre as belas", que Leão Lobo criou em seu programa "De Olho nas Estrelas", da Band. A produção, fraca, faz um retrato da vida amorosa do ator Dado Dolabella. Dar esse destaque todo ao jovem ator barraqueiro, dá impressão de que estão sem assunto.(topo)

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Rápidas

Galante · Murilo Rosa vai fazer uma participação em "Bang Bang", da Globo. Na trama supervisionada por Carlos Lombardi, ele vai interpretar o veterinário Josh Lucas, que foi contratado por Paul Bullock, de Mauro Mendonça, para trabalhar na fazenda. O rapaz vai estremecer o romance de Diana e BeSilver, vividos por Fernanda Lima e Bruno Garcia.

Novo comando · Mel Lisboa assume o posto de apresentadora do programa "Oi Mundo Afora", do GNT, no lugar de Giselle Itié. A primeira viagem da bela vai ser para Nova York.

Novidade · Estréia no próximo dia 20, no SBT, a novela "A Feia Mais Bela", versão mexicana da colombiana "Betty, a Feia".

Participação · Viviane Pasmanter foi escalada para trabalhar em "Páginas da Vida", próxima novela das oito da Globo. O último trabalho da atriz foi em "Kubanacan", de 2003, onde deu vida à Lorena.

Sucesso · No próximo domingo, Álvaro Garnero vai entrevistar Sammy Sosa no "Top Report", da RedeTV!. O rapaz é considerado o pelé do beisebol americano.(topo)

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Luz, 75 anos, fez 40 exposições até deixar de pintar, em 2000 Divulgação

Blumenau reverencia o
talento de Alberto Luz

Retrospectiva com obras do artista plástico será inaugurada hoje, em galeria municipal

Blumenau - Considerado um dos grandes expoentes das artes na década de 70, participando de mais de 40 exposições de 1965 até o ano 2000, o artista plástico blumenauense Alberto Luz recebe hoje da Fundação Cultural o reconhecimento pelo trabalho e dedicação à cultura catarinense. Às 19h30, uma exposição com uma retrospectiva das obras do artista inaugura a sala Alberto Luz na Galeria Municipal de Artes, anexo ao Museu de Arte. Artistas plásticos, poetas, professores, estudantes e amantes das artes em geral devem participar do evento.
Alberto Luz está com 76 anos e não pinta novas obras desde o ano 2000. Naquele ano, sua última exposição foi "A Mulher sob o Olhar do Artista", no Espaço do Artista Dicave, em Blumenau. A exposição na sala que leva seu nome apresentará obras integrantes deste evento e de outros promovidos pelo artista. As obras foram cedidas de acervos particulares.
A sensualidade sempre fez parte das obras de Luz, e a retrospectiva, segundo a diretora do Museu de Arte de Blumenau, Rafaela Hering Bell, tem essa característica bastante presente. Poderão ser vistos os famosos manequins do artista, repletos de colagens, pinturas com as mais diferentes técnicas e máscaras. "Procuramos contar com obras de todas as fases do artista, onde essa característica da sensualidade está sempre presente", garante Rafaela. A criação da sala Alberto Luz inaugura uma decisão da Fundação Cultural de promover homenagens a artistas ainda em vida, para que se sintam cada vez mais valorizados e continuem produzindo grandes obras.

O quê: Inauguração da Sala Alberto Luz, com retrospectiva das obras do artista. Quando: Hoje, às 19h30, até o dia 12 de abril. Horários: de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 13h30 às 17h30; sábados, domingos e feriados, das 10 às 16 horas. Onde: Museu de Arte de Blumenau. Rua 15 de Novembro, 161. Quanto: Gratuito. As visitas serão monitoradas e devem ser agendadas pelo telefone (47) 3326 6596 ou e-mail mab@fcblu.com.br. Informações: Tel. (47) 3326.6871.(topo)

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Cama apresenta formas femininas digitalizadas

Blumenau - Formas femininas digitais, sensualidade contida em cubos, sedução a partir da imagem transformada e de uma qualidade capaz de enganar os olhos mais atentos. A exposição do fotógrafo paulista Felipe Cama, que será aberta hoje à noite, no Museu de Arte de Blumenau (MAB), promete estas e outras impressões sobre as possibilidades artísticas da fotografia digital. Uma verdadeira prova de que a arte pode fluir e se desenvolver através dos olhos mecânicos e eletrônicos da informática e das novas tecnologias.
Todas as fotos são de figuras femininas e acessórios de moda, cada uma com um tratamento e produção diferentes de luz, cor, textura e criação. O artista, vencedor do Salão de Ribeirão Preto (SP) e contratado de uma das mais importantes agências de publicidade do País, também brinca com os efeitos provocados pela produção publicitária. Uma das imagens apresentadas na exposição é de uma bolsa da famosa marca Prada, falsificada e vendida na avenida 25 de Março, tradicional reduto de comércio popular de São Paulo.
Cama faz a bolsa parecer muito mais do que original em sua fotografia, mas revela, numa pequena legenda, onde encontrou e quanto pagou pelo objeto. "Felipe Cama consegue quebrar a monotonia atual da fotografia digital. Sua fotografia procura demonstrar a sedução ora do desejo (vaidade), ora da sedução (sensualidade), onde o ícone feminino prevalece", diz a diretora do MAB, Rafaela Hering Bell. Para ela, a mistura de elementos binários nas fotografias é outra característica que diferencia o artista. (MH)

O quÊ: Exposição Fotográfica de Felipe Cama. Quando: Hoje, às 19h30, até 12 de abril. Onde: Museu de Arte de Blumenau. Rua 15 de Novembro, 161, junto ao antigo prédio da Prefeitura. Quanto: Gratuito. Informações: (47) 3326.6871.(topo)

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Poeta brinca com as
palavras em "Mi/ni/Mo"

Blumenau - Poesias concretas, que apostam na musicalidade das palavras em contraste nos versos e períodos, dão o tom ao poeta blumenauense Alexandre da Conceição no livro "Mi/ni/Mo", que a Editora Cultura em Movimento lança hoje. A obra faz parte da série Artesanal da editora e foi toda impressa em linotipo e papel especial.
Alexandre brinca com as formas e sons das palavras já no título do livro, que por si já pode ser considerado uma poesia. "Mi/ni/Mo", segundo ele, pode ser desdobrado como poesia de várias formas, convidando o leitor a dar continuidade à leitura e descobrir a mensagem que o autor pretende passar em cada um dos textos. "Economizando vocábulos, usando-os de forma mínima, dispondo-os com maestria, leva-nos a saborear suas considerações sentimentais sobre a vida e a natureza. É um opúsculo, promessa de livro grande ou grande livro. Promessa de um bom poeta que, no mínimo, merece a máxima atenção. Vale vê-lo disposto e graficamente levado ao público leitor", elogia o professor e escritor Gervásio Luz, do conselho editorial da Cultura em Movimento.
Para Luz, o autor valeu-se de todos os recursos da poesia concreta. "Enquanto a poesia clássica trabalha com o período, que é o elemento com que se constitui o diálogo, a concreta opera sobre a palavra, independentemente do acordo necessário para se compreender que tal palavra significa tal coisa: o significado deve provir da forma dessa palavra, remanejada e reconstruída pelo poeta concreto. Assim, o significado de um poema concreto passa a ser o poema concreto", completa.

O quÊ: Lançamento do livro "Mi/ni/Mo", de Alexandre da Conceição. Quando: Hoje, às 19h30. Onde: Alameda Duque de Caxias, 78, centro, fone (47) 3326-6871. Quanto: R$ 5,00 (o livro). (topo)

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Crônica

Amor perfeito e outras canções

Esta semana passei ouvindo um tipo de música que ficou presa na década de 70 e no começo dos anos 80. De característica bem popular, trata-se de uma música, na maioria das vezes, com letras que contam histórias românticas e desafortunadas. "No hospital, na sala de cirurgia, pela vidraça eu via você sofrendo a sorrir, e seu sorriso se desfazendo, então eu vi você morrendo, sem poder me despedir", canta Amado Batista no clássico "O Fruto do Nosso Amor". Nesta linha narrativa, fez muito sucesso na voz de César Sampaio, "Secretária de Beira do Cais", sobre a prostituta que mentia para a família: "Como vai, pergunta o pai à filha querida. Ele quer saber como é que está a sua vida, ela diz que é muito feliz na vida que traz, que trabalha como secretária na beira do cais". Almir Rogério emplacou dois clássicos: "Fuscão Preto" e "Motoqueiro". Mas nessa linha historinha triste nada supera "O Telefone Chora", versão da música francesa "Le Telephone Pleure" em que Márcio José, no papel de pai, trava um diálogo patético, absurdo, hilário e tristíssimo com a filha que ele abandonou: "me conta: o seu titio é bom? Você vai à escola? Já fez a lição?" Canta o pai sofrido. No outro lado da linha, alguém visivelmente fazendo voz de criança, responde "Fiz, a minha mãe assina o boletim, nos dos outros quem assina é o papai, mas no meu não". E assim segue o diálogo entre o refrão: "O telefone chora, compreende o meu penar, pois sabe que ela não vai perdoar".
Havia também um certo ufanismo vindo da dupla Dom & Ravel, com seu "obrigado ao homem do campo, pelo leite, o café e o pão". Ou o feminismo engajado de Vanuza: "Hoje eu vou mudar (...) porque sou mulher, com todas as incoerências que fazem de nós o forte sexo fraco". Inúmeras versões, uma das melhores é: "Eu sou rebelde porque o mundo quis assim, porque nunca me trataram com amor...".
Vez ou outra, este tipo de música é resgatada por gente-fina e elegante como Caetano Veloso ou Pato Fu. Alguns artistas populares também trazem de volta estas canções. Atualmente, Leonardo tem dois CDs com sucessos deste período. Os resultados são díspares. Pouco alcançam a inocência pueril das canções originais.
Estamos num tempo em que a música de extrato realmente popular limita-se à repetição de rimas-clichês, grunhidos pornográficos ou a ser um manual de instrução da coreografia. Não há aqui nenhuma comparação entre os dois tempos. Cada período histórico tem a arte que o traduz perfeitamente. Por isso é tão interessante voltar os olhos 20, 30 anos atrás e ver o quanto este tipo de música já não pode mais ser feita agora. São artistas símbolos de uma época. Muitos ainda estão na estrada, mantêm um público fiel, outros perderam-se, venderam-se, desistiram. As suas músicas permanecem entranhadas na memória coletiva, até mesmo de quem não viveu neste período. Ou alguém aí não sabe cantar com Giliard: "Aquela nuvem que passa lá em cima sou eu, aquele barco que vai mar afora sou eu..."?

Rubens da Cunha, escritor
rubensdacunha@hotmail.com

Excepcionalmente não publicamos hoje a crônica de Thiago Momm Pereira(topo)

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Múltiplas

Sua chance
As inscrições de projetos para o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, de Brasília e de São Paulo estão abertas até 15 de abril, exclusivamente via internet: www.bb.com.br/cultura. Podem se inscrever pessoas físicas ou jurídicas, de qualquer nacionalidade. Os trabalhos selecionados vão fazer parte da programação dos centros culturais em 2007.

Pretenders na caixa
O Pretenders está de volta à ativa para revisitar a própria carreira mais uma vez. A banda de Chrissie Hynde está lançando a caixa "Pirate Radio", com quatro CDs e um DVD contendo os hits, versões inéditas, gravações ao vivo e demos de várias fases da carreira deles. O destaque é o DVD, que reúne apresentações raras da banda na televisão de vários países, entre 1979 e 1995. A caixa, que está sendo vendida por US$ 75 nas lojas americanas, tem mais de cinco horas de música. O Pretenders começa esta semana uma turnê pelos Estados Unidos para promover o lançamento.

Cancelado
O show de Roberto Carlos com o tenor Luciano Pavarotti (foto), que aconteceria sábado em Belo Horizonte, foi cancelado. O cantor italiano foi internado em um hospital em Nova York com fortes dores na coluna. Ele passava férias em Barbados, no Caribe, e se preparava para viajar ao Brasil. A Accioly Entretenimento, que organiza o evento, procura agora uma nova data entre julho e agosto para a apresentação no Brasil. Segundo os empresários do tenor, Pavarotti deverá ficar afastado dos palcos por 60 dias. E a turnê mundial, que incluía apresentações no Brasil, Chile, Argentina, Portugal e Bósnia, está suspensa.(topo)

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Plano quer aumentar leitura no Brasil

Intenção do governo é ampliar de 47% para 57% o índice de pessoas com pelo menos dez livros em casa

São Paulo - Não que antes o governo já não tivesse reconhecida sua obrigação de garantir o acesso à leitura no País, mas a partir desta semana livro é política de Estado. O Ministério da Cultura, em conjunto com o Ministério da Educação, lançou o Plano Nacional do Livro e Leitura, uma série de 185 ações com o objetivo final de elevar o índice de leitura brasileiro em 50%, de 1,7 para 2,8 livros por habitante/ano e ampliar de 47% para 57% o índice de pessoas acima de 14 anos que possuam pelo menos dez livros em casa, até 2008.
"Uma quantidade enorme de coisas leva as pessoas ao hábito da leitura e, por isso, o problema é tão complexo e precisa de vários tipos de ações", disse o ministro Gilberto Gil que, ao lado do ministro da Educação, Fernando Haddad, lançou o PNLL em cerimônia no auditório Elis Regina, no Anhembi, onde também ocorre a Bienal do Livro de São Paulo. "Não sei se tenho condições de dizer que há um aspecto principal a ser resolvido nesta área, mas com certeza precisamos criar bibliotecas e reforçar o acervo das bibliotecas já existentes, além de melhorar a distribuição de livros, com o fomento a sua produção."
Convencido de que a instalação de novas bibliotecas é uma das principais chaves para o fomento à leitura, o Ministério da Cultura fixou uma meta de instalação de mil unidades em todo o País, o que resolveria o déficit de municípios onde não há nenhuma. Entre as metas para 2008, há ainda a expectativa de elevação do índice de empréstimo em bibliotecas de 8% para 14% dos livros lidos no País. "A solução para o acesso ao livro no Brasil se chama biblioteca", resumiu o coordenador-executivo do PNLL, José Castilho Neto.

Recursos

O plano equaciona a questão do livro em quatro eixos principais, espécie de linhas de ação a serem tomadas: democratização do acesso, fomento à leitura e à formação de leitores, valorização da leitura e comunicação e apoio à economia do livro. Assim, foram relacionadas as 185 ações práticas, que na verdade são iniciativas de órgãos governamentais, não-governamentais e iniciativa privada, espalhados pelo Brasil. "Além de pensar em políticas públicas, o PNLL também tem o papel de coordenar as iniciativas que já estão em execução no País, onde se trocam experiências", explicou o coordenador-geral do plano, Galeno Amorim.
Os recursos destinados às ações continuam basicamente os mesmos. "O dinheiro vem do orçamento que os ministérios envolvidos - e são 11- destinam aos projetos de fomento à leitura e também da iniciativa privada e de estatais, que também mantêm ações na área", disse Amorim.(topo)

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Não existem garantias legais

Cheio de boas intenções e, apesar do fato de que será lançado em decreto presidencial, como parte da Lei do Livro, de 30 de outubro de 2003, nada garante a continuidade do plano pelos próximos 20 anos, que é a sua previsão de vida. "O PNLL não tem garantias legais e, mesmo se tivesse, ele poderia ter o destino alterado, já que os governos costumam mudar as leis.
Dificilmente um governo compraria uma briga destas, de desmontar um plano que é uma das grandes demandas da sociedade", observa Amorim, sublinhando a falta de coloração partidária da idéia. "Mesmo que o Brasil consiga resolver o déficit mais urgente da leitura, por exemplo, as políticas públicas para o setor devem ser permanentes, como nos países desenvolvidos", disse Gil.(topo)

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A biblioteca (in) disciplinada de Mindlin

Raridades do acervo particular de colecionador são lançadas em livro

UbirataBrasil
Agência Estado

São Paulo - São mais de 31 mil títulos que, em alguns casos, se multiplicam cada um em vários volumes, o que dificulta totalizar o número de livros - no mínimo, deve chegar a 80 mil. Cultivada há quase oito décadas, a biblioteca particular do casal de bibliófilos Guita e José Mindlitornou-se uma das mais importantes do Brasil, além de referência internacional na área.
Seu acervo de manuscritos, primeiras edições, publicações ilustradas e outras raridades representa um verdadeiro tesouro que muito poucos conhecem. Pensando nisso, Mindlie a mulher elaboraram, com as fiéis secretárias que trabalham na biblioteca, os dois volumes que compõem a coleção "Destaques da Biblioteca InDisciplinada de Guita e José Mindlin" (544 páginas, R$ 260).
Mais que um guia para os caçadores de arcas perdidas, trata-se do levantamento de uma importante parcela da produção editorial de séculos atrás, com a apresentação de verdadeiras jóias (leia quadro). Algo tão diversificado que o trabalho de seleção tomou quase dois anos. "A escolha não foi uma tarefa fácil, pois a biblioteca adquiriu, ao longo dos anos e por força da diversidade de meus interesses, uma dimensão que se poderia qualificar de exagerada", comenta Mindlin, que começou a colecionar livros em 1927, quando não passava de um garoto de calças curtas. "Para mim, os livros têm vida própria, apesar de sua aparente imobilidade, e, desde que comecei a selecionar os escolhidos, praticamente todos se consideravam com o direito de ser escolhidos."(topo)

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Paixão por história e literatura motivou coleção

Para a seleção do material publicado no livro, José Mindlie suas colaboradoras admitiram centenas de itens, o que explica em parte o termo "biblioteca indisciplinada". "A indisciplina justifica quando sou tentado a comprar obras que não se enquadram nas vertentes", explica o bibliófilo. "Mas acabo encontrando regras."
Foi o interesse por assuntos brasileiros - principalmente história e literatura - que levou Mindlin, empresário e advogado descendente de judeus russos, a formar uma biblioteca. A leitura da "História do Brasil" de frei Vicente de Salvador (um cronista do século 17), presente de uma tia, incentivou-o a colecionar raridades. "Em 1927, entrei num sebo de São Paulo e comprei uma obra que me fascinou, o 'Discurso sobre a História Universal', de Bossuet, uma edição portuguesa de 1740", lembra. "Foi uma leitura importante, pois deu origem ao meu interesse por obras, especialmente nacionais."
Aos 91 anos, Mindlin, que teve uma breve (mas marcante) passagem como jornalista do jornal "O Estado de S. Paulo" durante a década de 30, exibe uma verdadeira paixão pelos livros. Ter o privilégio de passear pelas fileiras de estantes que se estendem por sua ampla casa no bairro do Brookli("Vivemos aqui desde os anos 1940") não apenas permite descobrir os tesouros cuidadosamente guardados como verificar seu cuidado com cada volume - aparentemente, Mindlisabe exatamente onde está cada volume. Se a conversa trata de Machado de Assis, ele puxa o volume do local certo. O mesmo acontece sobre Rabelais ou da primeira edição de "Os Lusíadas", de 1572.
Além de encantador, Mindlié um homem desprovido de interesses pessoais, a ponto de ter acertado com os filhos a doação de 15 mil títulos para a USP. "Sempre gostei de inocular o vírus da leitura nas pessoas."(topo)

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Encontro debate a dança
para o palco e para o vídeo

Alejandro Ahmed, Jussara Xavier e Sonia Sobral coordenam discussão sobre o tema, hoje, na Capital

Florianópolis - O coreógrafo e bailarino Alejandro Ahmed, a bailarina e gestora cultural Jussara Xavier e a gerente do núcleo de artes cênicas do Itaú Cultural, Sonia Sobral, participam hoje, na Capital, de um encontro promovido pelo Programa Rumos Itaú Cultural Dança 2006-2007. Esse é o terceiro de 14 encontros previstos para serem realizados em todo o país até o final do mês de abril. Desta vez, a discussão será sobre a produção em dança contemporânea para o palco e para o vídeo.
O evento começa com uma conversa de Jussara, que é mestre em comunicação e semiótica e especialista em dança cênica, sobre a base de dados criada a partir do Programa Rumos Dança, que gerou um mapa dos fatores que influenciam a dinâmica cultural da dança contemporânea brasileira em diversas regiões do País. Em seguida, Sonia Sobral coordena uma mostra de trechos de antigas e atuais videodanças - ou seja, a dança feita para a tela, o registro, o documentário - abrindo a discussão sobre o tema.
Depois, Alejandro Ahmed, diretor artístico do Grupo Cena 11, apresenta a palestra "Percepção, Avaliação e Organização de Métodos para Pesquisa em Dança Contemporânea". Ele propõe um debate sobre a confluência de teoria e prática na organização de modos de investigar, criar e tornar viável a produção em dança contemporânea. "Neste debate é importante também trazer à tona a necessidade de criação de vias mais fluídas de trocas de informações entre os pesquisadores e criadores da região Sul", observa Ahmed, cujo trabalho com seu grupo de dança resultou no desenvolvimento da técnica "percepção física", que objetiva produzir uma dança em função do corpo, capaz de processar melhor as idéias contidas na movimentação.
Considerado um dos mais abrangentes programas de estímulo à produção artística e cultural do País, o Rumos Itaú Cultural foi criado em 1997, sendo o pioneiro no mapeamento da produção artística nacional e já apoiou, neste período, o desenvolvimento de mais de 500 projetos em artes visuais, cinema e vídeo, música, dança, literatura, mídia arte, literatura-audioficções e jornalismo cultural.
A proposta do Rumos Dança é fomentar e difundir criadores e intérpretes, assim como contribuir para a especialização, estimulando a produção, fomentando e difundindo sua documentação. Além do mapeamento artístico, uma equipe de 13 pesquisadores, de diferentes Estados brasileiros, desenha o mapa contextual das dinâmicas culturais dos locais onde as obras estão sendo criadas. Posteriormente, essas informações são acrescentadas à Base de Dados Dança, no site do instituto. Para este ano, o programa está apostando em dois segmentos: o desenvolvimento de obras coreográficas e a produção de videodança. As inscrições, que tiveram início dia 13 de fevereiro, podem ser feitas até 31 de maio de 2006, exclusivamente pelo site www.itaucultural.org.br/rumos2006.

O QUÊ: Encontro Rumos Itaú Cultural Dança em Florianópolis. QUANDO: hoje, 18h. ONDE: Auditório do Centro de Artes da Udesc, av. Madre Benvenuta, 1907, Itacorubi, Florianópolis, fone (48) 3231-9700. QUANTO: gratuito.(topo)

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Mácleim, Ezequiel Lima e
"Nós Quatro" no Pixinguinha

Florianópolis - Sucesso ao unir música de boa qualidade e preços baixos, o Projeto Pixinguinha volta a Santa Catarina hoje, trazendo o alagoano Mácleim, o músico mineiro Ezequiel Lima e o grupo vocal carioca Nós Quatro, acompanhados por Café (piano), Carioca (bateria), Felipe Poli (guitarra e violão) e Fernando Leporace (baixo). A caravana, que é promovida pela Fundação Nacional de Arte (Funarte) em parceria com os governos estaduais, fará sua próxima apresentação no sábado, dia 18, em São Francisco do Sul, seguindo depois para as paulistas Santos e Guaratinguetá.
Selecionado para integrar o Projeto Pixinguinha pela terceira vez - as edições anteriores foram em 1986 e 1997 -, Mácleim é compositor, arranjador, produtor musical e autor de trilhas para teatro. Alagoano de Maceió, traz em sua música as raízes do Brasil, como samba, forró, embolada, coco e também o mais puro funk. Nos anos 80 instalou-se de vez no Rio de Janeiro, quando assinou sua primeira produção musical: o álbum "Conexões", de Antonio Adolfo. Freqüentando desde 1997 o circuito de festivais europeus, teve uma música, Retalhos de Azul, escolhida para integrar o primeiro CD do Montreux Jazz Festival Off, com lançamento mundial. São três seus álbuns lançados: "Panambivera", "Internet Coco" e "Ao Vivo e Aos Outros".
Ezequiel Lima tinha 18 anos quando montou sua primeira banda, Os Intrépidos. Na época, teve de fazer uma opção: trocar o violão, que até então era de sua predileção, pelo contrabaixo, instrumento que faltava para completar o grupo musical. Hoje, aos 55 anos, Lima é considerado um dos mais renomados baixistas mineiros, acompanhando Markú Ribas, Toninho Horta e Juarez Moreira, com quem já gravou quatro discos, entre outros artistas. Em 2001 lançou seu primeiro álbum solo, "Ezequiel Lima - Outra História", uma produção independente.
Formado por Célia Vaz, Marcio Lott, Fabíola e Clarisse Grova, o Nós Quatro nasceu da paixão em comum dos integrantes por grupos vocais, que começaram "brincando" de vocalizar suas músicas prediletas. A brincadeira acabaria tornando-se coisa séria, rendendo convite da gravadora Biscoito Fino para que registrassem o trabalho em CD. Em 2004, chegava às lojas o álbum de estréia do grupo Nós Quatro, homônimo, produzido no estúdio da gravadora. Com repertório moderno e arranjos instigantes, Nós Quatro passeia pela música brasileira em toda sua abrangência, alinhando composições de Lenine, Tom Jobim, Djavan, Guinga, Luiz Gonzaga, João Gilberto e MiltoNascimento, entre outros artistas.

O QUÊ: Projeto PIXINGUINHA 2006 - Caravana de Março. QUANDO: hoje, 21h. ONDE: Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), rua Marechal Guilherme, 26, centro, Florianópolis, tel.: (48) 3028-8070. QUANTO:
R$ 5,00/R$ 2,50 (estudantes e idosos).(topo)

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NelsoPereira na ABL é tributo ao cinema nacional

Luiz Carlos Merten
Agência Estado

São Paulo - Acadêmico ele nunca foi - pelo menos não no sentido que o Aurélio atribui à palavra - artista ou obra de arte que se conservam presos às regras ou num gosto estético imobilizado. Imortal já era desde os anos 1950, quando, bebendo na fonte do neo-realismo, traçou os fundamentos do que viria a ser, depois, o Cinema Novo. Acadêmico, "com muito orgulho", e - para todos os efeitos - imortal, NelsoPereira dos Santos tornou-se quando seu nome foi referendado pelos agora colegas votantes da Academia Brasileira de Letras. Com Nelson, é o cinema brasileiro que chega à ABL.
A idéia de levá-lo à Academia nasceu de amigos cineastas e acadêmicos. Luiz Carlos Barreto, o grande fotógrafo de "Vidas Secas", foi dos que mais incentivaram o diretor a se candidatar. Nelson, no cinema, tem sido um grande divulgador da literatura brasileira. Filmes raramente prescindem do suporte escrito, do roteiro, e o único livro de Nelsoaté agora publicado, numa coleção prevista para ter nove volumes, é "Três Vezes Rio", pela Editora Rocco, que reúne seus primeiros roteiros.
Antes de Barretão, foi Lêdo Ivo, em 1992, quem primeiro sugeriu a Nelsoque deveria entrar para a ABL. A Academia preparava as comemorações do centenário de nascimento de Graciliano Ramos e o acadêmico teve longas conversas com o diretor que havia adaptado "Vidas Secas" e "Memórias do Cárcere". No ano passado, já convencido de que deveria se candidatar, Nelsoorganizou sessões de cinco de seus filmes na Academia, todos adaptados de grandes escritores. Graciliano, claro, e também Jorge Amado ("Jubiabá" e "Tenda dos Milagres") e Guimarães Rosa ("A Terceira Margem do Rio"). Nelsoainda adaptou NelsoRodrigues e Guilherme de Figueiredo, dedicou documentários a Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda.
Nelsotinha 15/16 anos e o professor, apaixonado pela literatura brasileira, incentivava os alunos a lerem. O futuro diretor leu "Os Sertões" e ficou impressionado com a força telúrica de Euclides da Cunha. Desde então, resgatar a essência do Brasil, seu povo, sua cultura, tornou-se sua meta. Nem todos os filmes apresentam o mesmo nível, mas isso, somado às condições particulares da produção de cada um, é sinal de que Nelsofoi sempre um temperamento inquieto.(topo)

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Diretor lança
em abril novo "Brasília 18%"

Entrar para a Academia não era aspiração do jovem Nelson, quando iniciou sua carreira, em 1955. Em todo o mundo, são raros os casos de diretores convidados a integrar academias literárias. Há o caso de René Clair, ex-vanguardista detestado pela nouvelle vague, que entrou nos anos 1960 para a Academia Francesa. "A Academia é uma instituição tradicional e respeitável", define Nelson. "E eu sou o instrumento para que ela homenageie o cinema brasileiro." O patrono da cadeira que disputou, e para a qual foi eleito, é o poeta Castro Alves. Nelsoe Castro Alves têm tudo a ver. Desde 1978, o diretor possui o projeto de fazer uma biografia do poeta.
Aos 78 anos, Nelsocontinua filmando pelo mesmo motivo por que escolheu essa carreira, ou foi por ela escolhido: a paixão. Agora mesmo, vive um momento excepcional. A entrada para a ABL coincide com a próxima estréia, em 21 de abril, de seu novo longa de ficção, "Brasília 18%", com Malu Mader. O filme, distribuído pela Columbia, ainda não estreou no Brasil e já se prepara para correr o mundo. Em 28 de abril, será exibido no Tribeca Festival, em Nova York. Logo em seguida, nos dias 2 e 4 de maio,o Tribeca rende homenagem a "Vidas Secas", exibindo a versão restaurada com apoio da Petrobras. (topo)

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