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Anexo
- A Notícia |
Editor - Fabiano Melato
Editores assistentes - Rubens Herbst e Carolina Mar Pereira
cultura@an.com.br |
LENTES
Silvana Leal expõe a mostra "O Forasteiro",
série fotográfica inspirada em poema homônimo
de Jorge Luís Borges Foto Divulgação
De cara nova, Masc reabre em grande
estilo
Para festejar a
reformulação do espaço, museu inaugura quatro
exposições de dois artistas: Silvana Leal e Hassis
JéfersoLima
Florianópolis - Depois de mais de três meses
fechado para reforma, o Museu de Arte de Santa Catarina reabre
hoje suas portas. Já no saguão o público
vai perceber que o espaço interno foi reformulado e que
o museu agora dispõe de um eficiente e moderno sistema
de climatização.
Para festejar a reabertura do principal espaço das artes
plásticas do Estado, serão inauguradas quatro exposições
de dois artistas: Silvana Leal e Hassis (1926-2001). Fotógrafa
e escritora, Silvana apresenta "O Forasteiro", uma
série fotográfica captada em Buenos Aires e inspirada
em poema homônimo de Jorge Luís Borges. Numa segunda
sala, ela exibirá uma instalação com o corpo
humano como objeto principal.
A mostra "Assim Hassis", que comemora os 80 anos de
nascimento do artista, vai reunir 60 fotos e 140 desenhos. A
movimentação em torno do aniversário do
curitibano, criado e adotado por Florianópolis, acontece
em toda a cidade. São nove mostras e atividades paralelas
que discutem a multiplicidade da linguagem do homenageado.
Conforme João Evangelista de Andrade Filho, diretor do
Masc, na reformulação do museu, a sala Harry Laus
- a única que era climatizada - vai passar agora a abrigar
o acervo da casa. Mas, por enquanto, o espaço está
vazio e vai ser ocupado pela exposição "Cerâmica
e Porcelana do Japão - Geração Emergente",
que vem de Porto Alegre (RS) para Florianópolis no dia
31 de março.
Para delimitar um percurso "cinematográfico"
pelas ruas, construções e manifestações
populares da cidade de Buenos Aires, a artista itajaiense Silvana
Leal, que vive em Brasília e Florianópolis, optou
em seguir a gramática do poema de Borges.
As imagens captadas por Silvana ganham um caráter de pintura
por meio das lentes da artista. As fotografias foram produzidas
sem manipulação e ultrapassam o simples documento
da realidade. O resultado são imagens de manifestações
populares, gente indo e vindo, ruas e construções
fazem parte de um imaginário, do sonho da artista.
"O Forasteiro" foi concebido especialmente para o Festival
de Fotografia Foto Arte 2005 e apresentado no Teatro Nacional
Claudio Santoro, em setembro do ano passado, em Brasília,
numa coletiva com mais cinco fotógrafos, entre eles, Walter
Firmo e Evandro Teixeira. A curadoria foi do artista Bené
Fonteles, que se referiu ao trabalho de Silvana Leal como "iluminuras
contemporâneas".
Na segunda sala, onde Silvana montou uma instalação-
surpresa, a proposta é lançar um alerta para "Todocorpo",
título de seu novo trabalho, composto por livro e exposição
multimídia com circulação prevista para
breve. "Procuro o ser que se encontra na procura",
diz a artista. Silvana é também psicóloga
e autora do livro "Erotismo nos Lábios", publicado
em dois volumes, um com palavras e outro com imagens. É
possível conhecer melhor o seu trabalho pelo site www.silvanaleal.com.
O QUÊ: Exposições "ASSIM HASSIS -
Desenhos e Fotos" e "O FORASTEIRO", de Silvana
Leal. ONDE: Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) no Centro
Integrado de Cultura (CIC), avenida Governador Irineu Bornhausen,
5.600, Agronômica, Florianópolis, fone (48) 3953-2300.
QUANDO: Abertura hoje, às 19h30. Visitação
até 16 de abril, de terça a domingo, das 13 às
21h. Para escolas, o Masc oferece visitas monitoradas gratuitas
abertas a turmas de 10 a 35 pessoas, mas com agendamento pelo
telefone (48) 3953-2324. QUANTO: Entrada franca. (topo)
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Trabalhos revelam o
mestre para o público
"Assim Desenhos", com curadoria de João Evangelista,
e "Assim Fotógrafo", com curadoria de Philippe
Arruda, reservam agradáveis surpresas. São visões
do artista em duas linguagens pouco conhecidas do grande público.
Para Fernando Boppré, coordenador geral do projeto "Assim
Hassis", a exposição dos desenhos coloca em
evidência todo um universo de trabalhos realizados cotidianamente
por Hassis. Anotações, estudos e esboços
que assinalam um pouco de sua formação artística,
diz ele. João Evangelista assegura que, "pela primeira
vez, o público terá uma visão intensa e
extensa da base da arte de Hassis. Essa base é o desenho
e o desenho dele era muito bom". "Na arte de Hassis
há um fator de base decisivo para sua carreira e que até
hoje não foi apreciado em exposição cuja
abrangência pudesse evidenciar o fôlego que tantas
vezes se renovou em seu itinerário artístico. Este
fator é a mão do desenhista", completa.
A mostra apresenta mais de 50 anos de desenhos. "Em seu
tempo, Hassis foi o artista que, com mais conseqüência
e solidez, representou a inquietação, o gosto pela
experiência e, sobretudo, a compreensão de que a
arte, no campo que lhe é próprio, para além
da expressão pessoal, é um processo que faz parte
da contínua investigação dos nexos de uma
rede de relações socialmente construídas.
Não há poética sem história. Nem
estrela sem uma constelação de valores", reflete
João.
Segundo o curador Philippe Arruda, da mostra "Assim Fotógrafo",
Hassis surpreende mesmo a quem acha que conheceu toda a extensão
de seu talento. "Para mim, foi uma grata surpresa o que
encontrei, especialmente no material de slides feitos nas décadas
de 60 e 70. Nas fotografias de Hassis aparece um experimentador
nato, com ângulos fora do padrão, imagens desconstruídas
e retratos inusitados com o cotidiano como o seu principal tema.
(JL)(topo)
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ZAP
"Um
dia, meu professor criticou minha redação. Disse
que o texto tinha reticências demais, que parecia coisa
de Rubem Braga. Naquele momento, eu me levantei e disse: muito
obrigado, acabo de abandonar a carreira militar. Fico com o Rubem
Braga."
Gilberto Braga, autor,
contando sobre o fato ocorrido no cursinho preparatório
para a Escola Naval
Bom de briga
Marcelo Serrado não esconde o cansaço físico
por conta das gravações de "Prova de Amor",
da Record. Não é para menos. A maior parte das
cenas do intérprete de Daniel é justamente de ação.
Vira e mexe, o rapaz tem de fugir do mau-caráter Lopo
Jr., de Leonardo Vieira. Em certos momentos, ele ainda tem de
lutar com o vilão. Tais seqüências exigem muita
concentração do ator. Qualquer deslize pode machucar
o companheiro. Para não fazer feio na novela, Marcelo
faz aulas de boxe e muay tai. "Essas cenas são muito
trabalhosas. A gente tem de repetir várias vezes e demonstrar
a mesma emoção em todas", conta.
Diferentes
Apesar de coronel Ferreira e dona Cândida, interpretados
por Osmar Prado e Patrícia Pillar, se amarem muito em
"Sinhá Moça", os dois têm opiniões
diferentes sobre o escravagismo. Cândida aceita as idéias
abolicionistas da filha, vivida por Débora Falabella,
mas esconde este sentimento por medo do marido. Também
pudera. O Barão de Araruna é extremamente inflexível
com a questão dos negros e não aceita a idéia
da abolição. "O coronel não criou o
escravagismo. Ele já nasceu dentro do regime. Não
o considero um vilão. Ele só se preocupa com a
fazenda", absolve o ator.
Nervos
Assim que terminarem as gravações da minissérie
"JK", Débora Bloch vai se dedicar à série
"Toma Lá, Dá Cá", que entra na
grade de programação da Globo no segundo semestre.
No seriado, que foi ao ar pela primeira vez como especial de
fim de ano, em dezembro último, a atriz dá vida
à estressada Rita. A personagem é casada com Arnaldo,
interpretado por Diogo Vilela, mas vive em torno dos problemas
com seus filhos e seu ex-marido Mário Jorge, de Miguel
Falabella. O que mais encanta a atriz no projeto é a oportunidade
de trabalhar com amigos e de interagir com a platéia.
"Com o público por perto é melhor porque temos
uma resposta imediata do que funciona e do que não funciona",
avalia.
Ele é o bom
Vanderlei Luxemburgo vai apresentar o reality show "Joga
Bonito", da Band. A produção, que tem o mesmo
formato do "Joga Dez", terá oito edições
e será exibida aos domingos, às 21 horas. O atual
técnico do Santos está bem animado com a nova função.
Apesar da pouca modéstia, que não é o seu
forte, Vanderlei acredita piamente que fará um bom trabalho
no comando do programa. "Quando o jogador é bom,
eu bato o olho e sei se ele tem talento ou não. Se passar
pela minha avaliação é que tem muita qualidade",
gaba-se.
Ajustes
Herval Rossano interrompeu as gravações de "Cristal",
próxima novela do SBT, para fazer algumas mudanças.
O novo diretor de teledramaturgia da emissora quer dar sua cara
à trama. Os protagonistas continuam os mesmos, mas Herval
pretende mudar alguns nomes do elenco. Como Silvio Santos comprou
câmaras digitais para a produção, ele também
vai contratar um bom diretor de fotografia. Tudo para a obra
ficar impecável. "Quero fazer o mesmo que fiz na
Record. O que eu mais gostei é que o Silvio me deu a liberdade
para mexer no que fosse necessário", conta. A estréia
de "Cristal", antes prevista para o final de março,
foi adiada para abril.
Foi bem
A atuação de DantoMello em "Sinhá
Moça", da Globo. O ator está bem à
vontade na pele do advogado Rodolfo. Além de ser carismático.
Foi mal
A novela "Dando Entre as belas", que Leão
Lobo criou em seu programa "De Olho nas Estrelas",
da Band. A produção, fraca, faz um retrato da vida
amorosa do ator Dado Dolabella. Dar esse destaque todo ao jovem
ator barraqueiro, dá impressão de que estão
sem assunto.(topo)
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Rápidas
Galante · Murilo Rosa vai fazer uma participação
em "Bang Bang", da Globo. Na trama supervisionada por
Carlos Lombardi, ele vai interpretar o veterinário Josh
Lucas, que foi contratado por Paul Bullock, de Mauro Mendonça,
para trabalhar na fazenda. O rapaz vai estremecer o romance de
Diana e BeSilver, vividos por Fernanda Lima e Bruno Garcia.
Novo comando · Mel Lisboa assume o posto de
apresentadora do programa "Oi Mundo Afora", do GNT,
no lugar de Giselle Itié. A primeira viagem da bela vai
ser para Nova York.
Novidade · Estréia no próximo
dia 20, no SBT, a novela "A Feia Mais Bela", versão
mexicana da colombiana "Betty, a Feia".
Participação · Viviane Pasmanter
foi escalada para trabalhar em "Páginas da Vida",
próxima novela das oito da Globo. O último trabalho
da atriz foi em "Kubanacan", de 2003, onde deu vida
à Lorena.
Sucesso · No próximo domingo, Álvaro
Garnero vai entrevistar Sammy Sosa no "Top Report",
da RedeTV!. O rapaz é considerado o pelé do beisebol
americano.(topo)
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Luz,
75 anos, fez 40 exposições até deixar de
pintar, em 2000 Divulgação
Blumenau reverencia o
talento de Alberto Luz
Retrospectiva com
obras do artista plástico será inaugurada hoje,
em galeria municipal
Blumenau - Considerado um dos grandes expoentes das artes
na década de 70, participando de mais de 40 exposições
de 1965 até o ano 2000, o artista plástico blumenauense
Alberto Luz recebe hoje da Fundação Cultural o
reconhecimento pelo trabalho e dedicação à
cultura catarinense. Às 19h30, uma exposição
com uma retrospectiva das obras do artista inaugura a sala Alberto
Luz na Galeria Municipal de Artes, anexo ao Museu de Arte. Artistas
plásticos, poetas, professores, estudantes e amantes das
artes em geral devem participar do evento.
Alberto Luz está com 76 anos e não pinta novas
obras desde o ano 2000. Naquele ano, sua última exposição
foi "A Mulher sob o Olhar do Artista", no Espaço
do Artista Dicave, em Blumenau. A exposição na
sala que leva seu nome apresentará obras integrantes deste
evento e de outros promovidos pelo artista. As obras foram cedidas
de acervos particulares.
A sensualidade sempre fez parte das obras de Luz, e a retrospectiva,
segundo a diretora do Museu de Arte de Blumenau, Rafaela Hering
Bell, tem essa característica bastante presente. Poderão
ser vistos os famosos manequins do artista, repletos de colagens,
pinturas com as mais diferentes técnicas e máscaras.
"Procuramos contar com obras de todas as fases do artista,
onde essa característica da sensualidade está sempre
presente", garante Rafaela. A criação da sala
Alberto Luz inaugura uma decisão da Fundação
Cultural de promover homenagens a artistas ainda em vida, para
que se sintam cada vez mais valorizados e continuem produzindo
grandes obras.
O quê: Inauguração da Sala Alberto Luz,
com retrospectiva das obras do artista. Quando: Hoje, às
19h30, até o dia 12 de abril. Horários: de segunda
a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 13h30 às
17h30; sábados, domingos e feriados, das 10 às
16 horas. Onde: Museu de Arte de Blumenau. Rua 15 de Novembro,
161. Quanto: Gratuito. As visitas serão monitoradas e
devem ser agendadas pelo telefone (47) 3326 6596 ou e-mail mab@fcblu.com.br.
Informações: Tel. (47) 3326.6871.(topo)
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Cama apresenta formas femininas digitalizadas
Blumenau - Formas femininas digitais, sensualidade contida
em cubos, sedução a partir da imagem transformada
e de uma qualidade capaz de enganar os olhos mais atentos. A
exposição do fotógrafo paulista Felipe Cama,
que será aberta hoje à noite, no Museu de Arte
de Blumenau (MAB), promete estas e outras impressões sobre
as possibilidades artísticas da fotografia digital. Uma
verdadeira prova de que a arte pode fluir e se desenvolver através
dos olhos mecânicos e eletrônicos da informática
e das novas tecnologias.
Todas as fotos são de figuras femininas e acessórios
de moda, cada uma com um tratamento e produção
diferentes de luz, cor, textura e criação. O artista,
vencedor do Salão de Ribeirão Preto (SP) e contratado
de uma das mais importantes agências de publicidade do
País, também brinca com os efeitos provocados pela
produção publicitária. Uma das imagens apresentadas
na exposição é de uma bolsa da famosa marca
Prada, falsificada e vendida na avenida 25 de Março, tradicional
reduto de comércio popular de São Paulo.
Cama faz a bolsa parecer muito mais do que original em sua fotografia,
mas revela, numa pequena legenda, onde encontrou e quanto pagou
pelo objeto. "Felipe Cama consegue quebrar a monotonia atual
da fotografia digital. Sua fotografia procura demonstrar a sedução
ora do desejo (vaidade), ora da sedução (sensualidade),
onde o ícone feminino prevalece", diz a diretora
do MAB, Rafaela Hering Bell. Para ela, a mistura de elementos
binários nas fotografias é outra característica
que diferencia o artista. (MH)
O quÊ: Exposição Fotográfica de
Felipe Cama. Quando: Hoje, às 19h30, até 12 de
abril. Onde: Museu de Arte de Blumenau. Rua 15 de Novembro, 161,
junto ao antigo prédio da Prefeitura. Quanto: Gratuito.
Informações: (47) 3326.6871.(topo)
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Poeta brinca com as
palavras em "Mi/ni/Mo"
Blumenau - Poesias concretas, que apostam na musicalidade
das palavras em contraste nos versos e períodos, dão
o tom ao poeta blumenauense Alexandre da Conceição
no livro "Mi/ni/Mo", que a Editora Cultura em Movimento
lança hoje. A obra faz parte da série Artesanal
da editora e foi toda impressa em linotipo e papel especial.
Alexandre brinca com as formas e sons das palavras já
no título do livro, que por si já pode ser considerado
uma poesia. "Mi/ni/Mo", segundo ele, pode ser desdobrado
como poesia de várias formas, convidando o leitor a dar
continuidade à leitura e descobrir a mensagem que o autor
pretende passar em cada um dos textos. "Economizando vocábulos,
usando-os de forma mínima, dispondo-os com maestria, leva-nos
a saborear suas considerações sentimentais sobre
a vida e a natureza. É um opúsculo, promessa de
livro grande ou grande livro. Promessa de um bom poeta que, no
mínimo, merece a máxima atenção.
Vale vê-lo disposto e graficamente levado ao público
leitor", elogia o professor e escritor Gervásio Luz,
do conselho editorial da Cultura em Movimento.
Para Luz, o autor valeu-se de todos os recursos da poesia concreta.
"Enquanto a poesia clássica trabalha com o período,
que é o elemento com que se constitui o diálogo,
a concreta opera sobre a palavra, independentemente do acordo
necessário para se compreender que tal palavra significa
tal coisa: o significado deve provir da forma dessa palavra,
remanejada e reconstruída pelo poeta concreto. Assim,
o significado de um poema concreto passa a ser o poema concreto",
completa.
O quÊ: Lançamento do livro "Mi/ni/Mo",
de Alexandre da Conceição. Quando: Hoje, às
19h30. Onde: Alameda Duque de Caxias, 78, centro, fone (47) 3326-6871.
Quanto: R$ 5,00 (o livro). (topo)
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Crônica
Amor perfeito e outras canções
Esta semana passei ouvindo um tipo de música que ficou
presa na década de 70 e no começo dos anos 80.
De característica bem popular, trata-se de uma música,
na maioria das vezes, com letras que contam histórias
românticas e desafortunadas. "No hospital, na sala
de cirurgia, pela vidraça eu via você sofrendo a
sorrir, e seu sorriso se desfazendo, então eu vi você
morrendo, sem poder me despedir", canta Amado Batista no
clássico "O Fruto do Nosso Amor". Nesta linha
narrativa, fez muito sucesso na voz de César Sampaio,
"Secretária de Beira do Cais", sobre a prostituta
que mentia para a família: "Como vai, pergunta o
pai à filha querida. Ele quer saber como é que
está a sua vida, ela diz que é muito feliz na vida
que traz, que trabalha como secretária na beira do cais".
Almir Rogério emplacou dois clássicos: "Fuscão
Preto" e "Motoqueiro". Mas nessa linha historinha
triste nada supera "O Telefone Chora", versão
da música francesa "Le Telephone Pleure" em
que Márcio José, no papel de pai, trava um diálogo
patético, absurdo, hilário e tristíssimo
com a filha que ele abandonou: "me conta: o seu titio é
bom? Você vai à escola? Já fez a lição?"
Canta o pai sofrido. No outro lado da linha, alguém visivelmente
fazendo voz de criança, responde "Fiz, a minha mãe
assina o boletim, nos dos outros quem assina é o papai,
mas no meu não". E assim segue o diálogo entre
o refrão: "O telefone chora, compreende o meu penar,
pois sabe que ela não vai perdoar".
Havia também um certo ufanismo vindo da dupla Dom &
Ravel, com seu "obrigado ao homem do campo, pelo leite,
o café e o pão". Ou o feminismo engajado de
Vanuza: "Hoje eu vou mudar (...) porque sou mulher, com
todas as incoerências que fazem de nós o forte sexo
fraco". Inúmeras versões, uma das melhores
é: "Eu sou rebelde porque o mundo quis assim, porque
nunca me trataram com amor...".
Vez ou outra, este tipo de música é resgatada por
gente-fina e elegante como Caetano Veloso ou Pato Fu. Alguns
artistas populares também trazem de volta estas canções.
Atualmente, Leonardo tem dois CDs com sucessos deste período.
Os resultados são díspares. Pouco alcançam
a inocência pueril das canções originais.
Estamos num tempo em que a música de extrato realmente
popular limita-se à repetição de rimas-clichês,
grunhidos pornográficos ou a ser um manual de instrução
da coreografia. Não há aqui nenhuma comparação
entre os dois tempos. Cada período histórico tem
a arte que o traduz perfeitamente. Por isso é tão
interessante voltar os olhos 20, 30 anos atrás e ver o
quanto este tipo de música já não pode mais
ser feita agora. São artistas símbolos de uma época.
Muitos ainda estão na estrada, mantêm um público
fiel, outros perderam-se, venderam-se, desistiram. As suas músicas
permanecem entranhadas na memória coletiva, até
mesmo de quem não viveu neste período. Ou alguém
aí não sabe cantar com Giliard: "Aquela nuvem
que passa lá em cima sou eu, aquele barco que vai mar
afora sou eu..."?
Rubens da Cunha, escritor
rubensdacunha@hotmail.com
Excepcionalmente não publicamos hoje a crônica
de Thiago Momm Pereira(topo)
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Múltiplas
Sua chance
As inscrições de projetos para o Centro Cultural
Banco do Brasil do Rio de Janeiro, de Brasília e de São
Paulo estão abertas até 15 de abril, exclusivamente
via internet: www.bb.com.br/cultura. Podem se inscrever pessoas
físicas ou jurídicas, de qualquer nacionalidade.
Os trabalhos selecionados vão fazer parte da programação
dos centros culturais em 2007.
Pretenders na caixa
O Pretenders está de volta à ativa para revisitar
a própria carreira mais uma vez. A banda de Chrissie Hynde
está lançando a caixa "Pirate Radio",
com quatro CDs e um DVD contendo os hits, versões inéditas,
gravações ao vivo e demos de várias fases
da carreira deles. O destaque é o DVD, que reúne
apresentações raras da banda na televisão
de vários países, entre 1979 e 1995. A caixa, que
está sendo vendida por US$ 75 nas lojas americanas, tem
mais de cinco horas de música. O Pretenders começa
esta semana uma turnê pelos Estados Unidos para promover
o lançamento.
Cancelado
O show de Roberto Carlos com o tenor Luciano Pavarotti (foto),
que aconteceria sábado em Belo Horizonte, foi cancelado.
O cantor italiano foi internado em um hospital em Nova York com
fortes dores na coluna. Ele passava férias em Barbados,
no Caribe, e se preparava para viajar ao Brasil. A Accioly Entretenimento,
que organiza o evento, procura agora uma nova data entre julho
e agosto para a apresentação no Brasil. Segundo
os empresários do tenor, Pavarotti deverá ficar
afastado dos palcos por 60 dias. E a turnê mundial, que
incluía apresentações no Brasil, Chile,
Argentina, Portugal e Bósnia, está suspensa.(topo)
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Plano quer aumentar leitura no Brasil
Intenção
do governo é ampliar de 47% para 57% o índice de
pessoas com pelo menos dez livros em casa
São Paulo - Não que antes o governo já
não tivesse reconhecida sua obrigação de
garantir o acesso à leitura no País, mas a partir
desta semana livro é política de Estado. O Ministério
da Cultura, em conjunto com o Ministério da Educação,
lançou o Plano Nacional do Livro e Leitura, uma série
de 185 ações com o objetivo final de elevar o índice
de leitura brasileiro em 50%, de 1,7 para 2,8 livros por habitante/ano
e ampliar de 47% para 57% o índice de pessoas acima de
14 anos que possuam pelo menos dez livros em casa, até
2008.
"Uma quantidade enorme de coisas leva as pessoas ao hábito
da leitura e, por isso, o problema é tão complexo
e precisa de vários tipos de ações",
disse o ministro Gilberto Gil que, ao lado do ministro da Educação,
Fernando Haddad, lançou o PNLL em cerimônia no auditório
Elis Regina, no Anhembi, onde também ocorre a Bienal do
Livro de São Paulo. "Não sei se tenho condições
de dizer que há um aspecto principal a ser resolvido nesta
área, mas com certeza precisamos criar bibliotecas e reforçar
o acervo das bibliotecas já existentes, além de
melhorar a distribuição de livros, com o fomento
a sua produção."
Convencido de que a instalação de novas bibliotecas
é uma das principais chaves para o fomento à leitura,
o Ministério da Cultura fixou uma meta de instalação
de mil unidades em todo o País, o que resolveria o déficit
de municípios onde não há nenhuma. Entre
as metas para 2008, há ainda a expectativa de elevação
do índice de empréstimo em bibliotecas de 8% para
14% dos livros lidos no País. "A solução
para o acesso ao livro no Brasil se chama biblioteca", resumiu
o coordenador-executivo do PNLL, José Castilho Neto.
Recursos
O plano equaciona a questão do livro em quatro eixos
principais, espécie de linhas de ação a
serem tomadas: democratização do acesso, fomento
à leitura e à formação de leitores,
valorização da leitura e comunicação
e apoio à economia do livro. Assim, foram relacionadas
as 185 ações práticas, que na verdade são
iniciativas de órgãos governamentais, não-governamentais
e iniciativa privada, espalhados pelo Brasil. "Além
de pensar em políticas públicas, o PNLL também
tem o papel de coordenar as iniciativas que já estão
em execução no País, onde se trocam experiências",
explicou o coordenador-geral do plano, Galeno Amorim.
Os recursos destinados às ações continuam
basicamente os mesmos. "O dinheiro vem do orçamento
que os ministérios envolvidos - e são 11- destinam
aos projetos de fomento à leitura e também da iniciativa
privada e de estatais, que também mantêm ações
na área", disse Amorim.(topo)
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Não existem garantias legais
Cheio de boas intenções e, apesar do fato de
que será lançado em decreto presidencial, como
parte da Lei do Livro, de 30 de outubro de 2003, nada garante
a continuidade do plano pelos próximos 20 anos, que é
a sua previsão de vida. "O PNLL não tem garantias
legais e, mesmo se tivesse, ele poderia ter o destino alterado,
já que os governos costumam mudar as leis.
Dificilmente um governo compraria uma briga destas, de desmontar
um plano que é uma das grandes demandas da sociedade",
observa Amorim, sublinhando a falta de coloração
partidária da idéia. "Mesmo que o Brasil consiga
resolver o déficit mais urgente da leitura, por exemplo,
as políticas públicas para o setor devem ser permanentes,
como nos países desenvolvidos", disse Gil.(topo)
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A biblioteca (in) disciplinada de Mindlin
Raridades do acervo
particular de colecionador são lançadas em livro
UbirataBrasil
Agência Estado
São Paulo - São mais de 31 mil títulos
que, em alguns casos, se multiplicam cada um em vários
volumes, o que dificulta totalizar o número de livros
- no mínimo, deve chegar a 80 mil. Cultivada há
quase oito décadas, a biblioteca particular do casal de
bibliófilos Guita e José Mindlitornou-se uma das
mais importantes do Brasil, além de referência internacional
na área.
Seu acervo de manuscritos, primeiras edições, publicações
ilustradas e outras raridades representa um verdadeiro tesouro
que muito poucos conhecem. Pensando nisso, Mindlie a mulher elaboraram,
com as fiéis secretárias que trabalham na biblioteca,
os dois volumes que compõem a coleção "Destaques
da Biblioteca InDisciplinada de Guita e José Mindlin"
(544 páginas, R$ 260).
Mais que um guia para os caçadores de arcas perdidas,
trata-se do levantamento de uma importante parcela da produção
editorial de séculos atrás, com a apresentação
de verdadeiras jóias (leia quadro). Algo tão diversificado
que o trabalho de seleção tomou quase dois anos.
"A escolha não foi uma tarefa fácil, pois
a biblioteca adquiriu, ao longo dos anos e por força da
diversidade de meus interesses, uma dimensão que se poderia
qualificar de exagerada", comenta Mindlin, que começou
a colecionar livros em 1927, quando não passava de um
garoto de calças curtas. "Para mim, os livros têm
vida própria, apesar de sua aparente imobilidade, e, desde
que comecei a selecionar os escolhidos, praticamente todos se
consideravam com o direito de ser escolhidos."(topo)
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Paixão por história e literatura motivou
coleção
Para a seleção do material publicado no livro,
José Mindlie suas colaboradoras admitiram centenas de
itens, o que explica em parte o termo "biblioteca indisciplinada".
"A indisciplina justifica quando sou tentado a comprar obras
que não se enquadram nas vertentes", explica o bibliófilo.
"Mas acabo encontrando regras."
Foi o interesse por assuntos brasileiros - principalmente história
e literatura - que levou Mindlin, empresário e advogado
descendente de judeus russos, a formar uma biblioteca. A leitura
da "História do Brasil" de frei Vicente de Salvador
(um cronista do século 17), presente de uma tia, incentivou-o
a colecionar raridades. "Em 1927, entrei num sebo de São
Paulo e comprei uma obra que me fascinou, o 'Discurso sobre a
História Universal', de Bossuet, uma edição
portuguesa de 1740", lembra. "Foi uma leitura importante,
pois deu origem ao meu interesse por obras, especialmente nacionais."
Aos 91 anos, Mindlin, que teve uma breve (mas marcante) passagem
como jornalista do jornal "O Estado de S. Paulo" durante
a década de 30, exibe uma verdadeira paixão pelos
livros. Ter o privilégio de passear pelas fileiras de
estantes que se estendem por sua ampla casa no bairro do Brookli("Vivemos
aqui desde os anos 1940") não apenas permite descobrir
os tesouros cuidadosamente guardados como verificar seu cuidado
com cada volume - aparentemente, Mindlisabe exatamente onde está
cada volume. Se a conversa trata de Machado de Assis, ele puxa
o volume do local certo. O mesmo acontece sobre Rabelais ou da
primeira edição de "Os Lusíadas",
de 1572.
Além de encantador, Mindlié um homem desprovido
de interesses pessoais, a ponto de ter acertado com os filhos
a doação de 15 mil títulos para a USP. "Sempre
gostei de inocular o vírus da leitura nas pessoas."(topo)
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Encontro debate a dança
para o palco e para o vídeo
Alejandro Ahmed,
Jussara Xavier e Sonia Sobral coordenam discussão sobre
o tema, hoje, na Capital
Florianópolis - O coreógrafo e bailarino Alejandro
Ahmed, a bailarina e gestora cultural Jussara Xavier e a gerente
do núcleo de artes cênicas do Itaú Cultural,
Sonia Sobral, participam hoje, na Capital, de um encontro promovido
pelo Programa Rumos Itaú Cultural Dança 2006-2007.
Esse é o terceiro de 14 encontros previstos para serem
realizados em todo o país até o final do mês
de abril. Desta vez, a discussão será sobre a produção
em dança contemporânea para o palco e para o vídeo.
O evento começa com uma conversa de Jussara, que é
mestre em comunicação e semiótica e especialista
em dança cênica, sobre a base de dados criada a
partir do Programa Rumos Dança, que gerou um mapa dos
fatores que influenciam a dinâmica cultural da dança
contemporânea brasileira em diversas regiões do
País. Em seguida, Sonia Sobral coordena uma mostra de
trechos de antigas e atuais videodanças - ou seja, a dança
feita para a tela, o registro, o documentário - abrindo
a discussão sobre o tema.
Depois, Alejandro Ahmed, diretor artístico do Grupo Cena
11, apresenta a palestra "Percepção, Avaliação
e Organização de Métodos para Pesquisa em
Dança Contemporânea". Ele propõe um
debate sobre a confluência de teoria e prática na
organização de modos de investigar, criar e tornar
viável a produção em dança contemporânea.
"Neste debate é importante também trazer à
tona a necessidade de criação de vias mais fluídas
de trocas de informações entre os pesquisadores
e criadores da região Sul", observa Ahmed, cujo trabalho
com seu grupo de dança resultou no desenvolvimento da
técnica "percepção física",
que objetiva produzir uma dança em função
do corpo, capaz de processar melhor as idéias contidas
na movimentação.
Considerado um dos mais abrangentes programas de estímulo
à produção artística e cultural do
País, o Rumos Itaú Cultural foi criado em 1997,
sendo o pioneiro no mapeamento da produção artística
nacional e já apoiou, neste período, o desenvolvimento
de mais de 500 projetos em artes visuais, cinema e vídeo,
música, dança, literatura, mídia arte, literatura-audioficções
e jornalismo cultural.
A proposta do Rumos Dança é fomentar e difundir
criadores e intérpretes, assim como contribuir para a
especialização, estimulando a produção,
fomentando e difundindo sua documentação. Além
do mapeamento artístico, uma equipe de 13 pesquisadores,
de diferentes Estados brasileiros, desenha o mapa contextual
das dinâmicas culturais dos locais onde as obras estão
sendo criadas. Posteriormente, essas informações
são acrescentadas à Base de Dados Dança,
no site do instituto. Para este ano, o programa está apostando
em dois segmentos: o desenvolvimento de obras coreográficas
e a produção de videodança. As inscrições,
que tiveram início dia 13 de fevereiro, podem ser feitas
até 31 de maio de 2006, exclusivamente pelo site www.itaucultural.org.br/rumos2006.
O QUÊ: Encontro Rumos Itaú Cultural Dança
em Florianópolis. QUANDO: hoje, 18h. ONDE: Auditório
do Centro de Artes da Udesc, av. Madre Benvenuta, 1907, Itacorubi,
Florianópolis, fone (48) 3231-9700. QUANTO: gratuito.(topo)
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Mácleim, Ezequiel Lima e
"Nós Quatro" no Pixinguinha
Florianópolis - Sucesso ao unir música de boa
qualidade e preços baixos, o Projeto Pixinguinha volta
a Santa Catarina hoje, trazendo o alagoano Mácleim, o
músico mineiro Ezequiel Lima e o grupo vocal carioca Nós
Quatro, acompanhados por Café (piano), Carioca (bateria),
Felipe Poli (guitarra e violão) e Fernando Leporace (baixo).
A caravana, que é promovida pela Fundação
Nacional de Arte (Funarte) em parceria com os governos estaduais,
fará sua próxima apresentação no
sábado, dia 18, em São Francisco do Sul, seguindo
depois para as paulistas Santos e Guaratinguetá.
Selecionado para integrar o Projeto Pixinguinha pela terceira
vez - as edições anteriores foram em 1986 e 1997
-, Mácleim é compositor, arranjador, produtor musical
e autor de trilhas para teatro. Alagoano de Maceió, traz
em sua música as raízes do Brasil, como samba,
forró, embolada, coco e também o mais puro funk.
Nos anos 80 instalou-se de vez no Rio de Janeiro, quando assinou
sua primeira produção musical: o álbum "Conexões",
de Antonio Adolfo. Freqüentando desde 1997 o circuito de
festivais europeus, teve uma música, Retalhos de Azul,
escolhida para integrar o primeiro CD do Montreux Jazz Festival
Off, com lançamento mundial. São três seus
álbuns lançados: "Panambivera", "Internet
Coco" e "Ao Vivo e Aos Outros".
Ezequiel Lima tinha 18 anos quando montou sua primeira banda,
Os Intrépidos. Na época, teve de fazer uma opção:
trocar o violão, que até então era de sua
predileção, pelo contrabaixo, instrumento que faltava
para completar o grupo musical. Hoje, aos 55 anos, Lima é
considerado um dos mais renomados baixistas mineiros, acompanhando
Markú Ribas, Toninho Horta e Juarez Moreira, com quem
já gravou quatro discos, entre outros artistas. Em 2001
lançou seu primeiro álbum solo, "Ezequiel
Lima - Outra História", uma produção
independente.
Formado por Célia Vaz, Marcio Lott, Fabíola e Clarisse
Grova, o Nós Quatro nasceu da paixão em comum dos
integrantes por grupos vocais, que começaram "brincando"
de vocalizar suas músicas prediletas. A brincadeira acabaria
tornando-se coisa séria, rendendo convite da gravadora
Biscoito Fino para que registrassem o trabalho em CD. Em 2004,
chegava às lojas o álbum de estréia do grupo
Nós Quatro, homônimo, produzido no estúdio
da gravadora. Com repertório moderno e arranjos instigantes,
Nós Quatro passeia pela música brasileira em toda
sua abrangência, alinhando composições de
Lenine, Tom Jobim, Djavan, Guinga, Luiz Gonzaga, João
Gilberto e MiltoNascimento, entre outros artistas.
O QUÊ: Projeto PIXINGUINHA 2006 - Caravana de Março.
QUANDO: hoje, 21h. ONDE: Teatro Álvaro de Carvalho (TAC),
rua Marechal Guilherme, 26, centro, Florianópolis, tel.:
(48) 3028-8070. QUANTO:
R$ 5,00/R$ 2,50 (estudantes e idosos).(topo)
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NelsoPereira na ABL é tributo ao cinema nacional
Luiz Carlos Merten
Agência Estado
São Paulo - Acadêmico ele nunca foi - pelo menos
não no sentido que o Aurélio atribui à palavra
- artista ou obra de arte que se conservam presos às regras
ou num gosto estético imobilizado. Imortal já era
desde os anos 1950, quando, bebendo na fonte do neo-realismo,
traçou os fundamentos do que viria a ser, depois, o Cinema
Novo. Acadêmico, "com muito orgulho", e - para
todos os efeitos - imortal, NelsoPereira dos Santos tornou-se
quando seu nome foi referendado pelos agora colegas votantes
da Academia Brasileira de Letras. Com Nelson, é o cinema
brasileiro que chega à ABL.
A idéia de levá-lo à Academia nasceu de
amigos cineastas e acadêmicos. Luiz Carlos Barreto, o grande
fotógrafo de "Vidas Secas", foi dos que mais
incentivaram o diretor a se candidatar. Nelson, no cinema, tem
sido um grande divulgador da literatura brasileira. Filmes raramente
prescindem do suporte escrito, do roteiro, e o único livro
de Nelsoaté agora publicado, numa coleção
prevista para ter nove volumes, é "Três Vezes
Rio", pela Editora Rocco, que reúne seus primeiros
roteiros.
Antes de Barretão, foi Lêdo Ivo, em 1992, quem primeiro
sugeriu a Nelsoque deveria entrar para a ABL. A Academia preparava
as comemorações do centenário de nascimento
de Graciliano Ramos e o acadêmico teve longas conversas
com o diretor que havia adaptado "Vidas Secas" e "Memórias
do Cárcere". No ano passado, já convencido
de que deveria se candidatar, Nelsoorganizou sessões de
cinco de seus filmes na Academia, todos adaptados de grandes
escritores. Graciliano, claro, e também Jorge Amado ("Jubiabá"
e "Tenda dos Milagres") e Guimarães Rosa ("A
Terceira Margem do Rio"). Nelsoainda adaptou NelsoRodrigues
e Guilherme de Figueiredo, dedicou documentários a Gilberto
Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda.
Nelsotinha 15/16 anos e o professor, apaixonado pela literatura
brasileira, incentivava os alunos a lerem. O futuro diretor leu
"Os Sertões" e ficou impressionado com a força
telúrica de Euclides da Cunha. Desde então, resgatar
a essência do Brasil, seu povo, sua cultura, tornou-se
sua meta. Nem todos os filmes apresentam o mesmo nível,
mas isso, somado às condições particulares
da produção de cada um, é sinal de que Nelsofoi
sempre um temperamento inquieto.(topo)
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Diretor lança
em abril novo "Brasília 18%"
Entrar para a Academia não era aspiração
do jovem Nelson, quando iniciou sua carreira, em 1955. Em todo
o mundo, são raros os casos de diretores convidados a
integrar academias literárias. Há o caso de René
Clair, ex-vanguardista detestado pela nouvelle vague, que entrou
nos anos 1960 para a Academia Francesa. "A Academia é
uma instituição tradicional e respeitável",
define Nelson. "E eu sou o instrumento para que ela homenageie
o cinema brasileiro." O patrono da cadeira que disputou,
e para a qual foi eleito, é o poeta Castro Alves. Nelsoe
Castro Alves têm tudo a ver. Desde 1978, o diretor possui
o projeto de fazer uma biografia do poeta.
Aos 78 anos, Nelsocontinua filmando pelo mesmo motivo por que
escolheu essa carreira, ou foi por ela escolhido: a paixão.
Agora mesmo, vive um momento excepcional. A entrada para a ABL
coincide com a próxima estréia, em 21 de abril,
de seu novo longa de ficção, "Brasília
18%", com Malu Mader. O filme, distribuído pela Columbia,
ainda não estreou no Brasil e já se prepara para
correr o mundo. Em 28 de abril, será exibido no Tribeca
Festival, em Nova York. Logo em seguida, nos dias 2 e 4 de maio,o
Tribeca rende homenagem a "Vidas Secas", exibindo a
versão restaurada com apoio da Petrobras. (topo)
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